12 de dezembro de 2015

Diretrizes para diagnóstico e tratamento da síndrome da dor subacromial


Olá pessoal. Depois de um longo tempo sem fazer publicações no blog, por motivos diversos, publico esta postagem referente a Síndrome do Impacto Subacromial (SIS). Está postagem será embasada em um Guideline publicado pela Associação Ortopédica Holandesa, elaborado a partir de evidência científicas disponíveis na literatura, contando com a participação de fisioterapeutas e médicos. Antes de nos adentrar mais especificamente o que traz o Guideline, irei fazer uma breve introdução do assunto.

O tratamento da SIS tem mudado de forma drástica nos últimos 10 anos. Em recentes publicações tem-se discutido diversas possíveis causas da SIS, mas ainda não há uma etiologia clara para explicá-la. Alteração na cinemática escapular e umeral, morfologia do acrômio, alterações musculares do manguito rotador e de músculos escapulares, instabilidade do ombro, alteração postural, cargas excessivas repetitivas, deficiência do controle motor e anormalidades capsulares são algumas das possíveis causas relacionadas com tal condição musculoesquelética (PHADKE; CAMARGO; LUDEWIG, 2009).
A explicação, ou denominação, anatômica, como impacto do manguito rotador, parece não ser suficiente para cobrir toda a patologia relacionado com a SIS. Discute-se ainda que talvez o melhor termo a ser usado seja Síndrome da Dor Subacromial, diante das diversas estruturas que podem estar acometidas, que não apenas o manguito rotador, e gerarem um padrão de dor similar, a parte antero-lateral do ombro.
Esse Guideline define a SIS (usando na verdade o termo Síndrome da Dor Subacromial) como todo problema no ombro, não traumático e usualmente unilateral, que cause dor localizada em volta do acrômio, frequentemente apresentada durante ou subsequente a elevação do braço.
       Para tentar ser um pouco didático, seguirei a estrutura do artigo, colocando tópicos para importantes condições a serem consideradas quanto a tema. Além disso, dividirei em duas postagens. Sempre no final do parágrafo apresentarei o nível e evidência científica para a condição apresentada.
O que se sabe quanto ao prognóstico da SIS?
            A literatura nos aponta que existe uma relação entre um maior tempo de dor no ombro (maior que 3 meses) com um pior prognóstico. Além disso, a idade também revela uma relação diretamente proporcional com um pior prognóstico (45-54 anos). (NÍVEL DE EVIDÊNCIA: 1)
         Fatores psicológicas aparentemente parecem se relacionar com o curso e prognóstico da dor crônica no ombro (>3 meses), como também em dores agudas (<6 semanas). (NÍVEL DE EVIDÊNCIA: 2).
           Quanto a morfologia do acrômio, existe uma relação com a duração dos sintomas com o tipo II ou III, sendo ela com um nível de evidência científica 3.
Quais medidas são efetivas na prevenção da SIS?
          A literatura mostra fortes evidências entre movimentos repetitivos dos ombros, punhos e mãos, trabalho que envolva força do membro superior e vibração (alta intensidade de vibração ou exposição) da mão e braço, má adequação ergonomica, além de alta carga psicossocial, com sinais e sintomas da SIS. (NÍVEL DE EVIDÊNCIA: 1)
        No que se refere à prevenção, há evidências de que as atividades esportivas regulares (> 3 horas por semana, durante pelo menos 10 meses por ano) têm um efeito preventivo sobre o risco de queixas no pescoço e ombro (a longo prazo). EVIDÊNCIA: 2)
Qual os testes clínicos mais acurados, sensíveis e específicos para SIS?
     Nesse tópico deve-se ficar atento, já que lidamos diariamente com pacientes, e por vezes precisamos nos lançar mão de teste clínicos para embasar nossa conduta. Então usamos por vezes testes para excluir algumas possibilidades clínicas, ou mesmo para definir nosso diagnóstico fisioterapêutico. Para saber mais sobre isso indico um texto de um amigo “Como Escolher um Teste Diagnóstico para Utilizar durante o Exame?” (clique aqui).
          Quando se refere ao diagnóstico da SIS, o artigo é bastante enfático ao afirmar que NENHUM teste é acurado o suficiente para subsidiar o diagnóstico da SIS. E isso não é difícil de entender, porque sabemos que várias estruturas que estão no espaço subacromial podem estar afetadas. (NÍVEL DE EVIDÊNCIA: 1)
       E agora, o que fazer? A saída será reunir testes de boa sensibilidade e especificidade (ler texto indicado acima) para subsidiar o diagnóstico. (NÍVEL DE EVIDÊNCIA: 2)
           A recomendação deste Guideline é a combinação dos seguintes testes: Hawkins-Kennedy (alta sensibilidade e baixa especificidade), teste do arco doloroso e teste de força do infraespinal. Esses teste exibiram uma maior probabilidade pós-teste para qualquer grau de SIS.
Segue dois artigos que indico para o aprofundamento dessa temática!


Qual o valor adicional do exame de imagem para o diagnóstico da SIS?
No que se refere a exames de imagens, para detecção de rupturas de parciais ou totais do manguito rotador, a sensibilidade e especificidade dos ultrassonografia e ressonância magnética não são significativamente diferentes. (NÍVEL DE EVIDÊNCIA: 1)
A ultrassonografia parace ser um método acurado de detecção ou exclusão para lesões do manguito rotador, bursa subacromial, lesão do tendão do bíceps e tendinose calcária. (NÍVEL DE EVIDÊNCIA: 2)

NESSA POSTAGEM FICO POR AQUI! AGUARDEM A CONTINUIDADE DO ASSUNTO NA POSTAGEM QUE VIRÁ BREVEMENTE


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