17 de maio de 2013

DORES NOS PÉS: HÁ ALGO MAIS QUE ISSO!



         Queixas de dores no pé são bastante comuns. Às vezes tão comuns, que parece ser normais, e por isso, pacientes deixam até de relatar na clínica do fisioterapeuta. Se o fisioterapeuta não pergunta, aí fica por isso mesmo, até que essa dor começa a atrapalhar nas atividades diárias, sendo quase insuportáveis.
             É sabido por muitas a importância do pé no processo de equilíbrio estático e dinâmico ascendente. A má postura do pé repercutirá de maneira ascendente para o joelho, quadril, sacroilíaca e coluna, assim como um processo de desequilíbrio descendente repercutirá nos pés. Essa importância tem sido, por vezes, desprezada por muitos terapeutas e, principalmente, por médicos.

                Poderia aqui falar sobre o captor podal e suas ações sobre o sistema de controle motor, mas isso ficará para outra postagem. O que quero enfatizar nesta postagem é a importância da avaliação de sintomas de tornozelo e pé que pode dizer algo mais sobre os problemas do paciente.

                É relativamente comum que pacientes, com problema de coluna, decorrente de síndrome da perna curta (ver post Síndrome da perna curta) se queixarem de dores no pé exatamente na primeira pisada do dia, que vai passando ao longo da manhã. Por vezes, o ficar muito tempo sentado, o paciente pode sentir esse mesmo sintoma. Ao se pesquisar pontos de tensão no periósteo (tender points) e pontos-gatilho tem-se uma surpresa, não são poucos!
                Isso reflete na verdade o sofrimento do segmento na tentativa de manter o equilíbrio estático e dinâmico do pé. Se aliado ao uso de um calçado não muito bom, ou não muito apropriado (o calçado pode ser bom, mas não apropriado), esses sintomas serão ainda mais presentes. Certamente, essa dor desencadeada no pé mudará a pisada, e se o paciente ainda não apresentava um desequilíbrio ascendente, agora apresentará.

                Em post anterior, ressaltei a importâncias de tensões musculares aplicadas no tecido óssea como fonte predisponente de formação de osteófitos (ver post Bicos de papagaio e esporões, de onde vêem). No caso do tornozelo/pé temos situações clássicas dessas formações, os famosos “esporões”. Pensar que a fascite, que o esporão foi gerado do nada, ou que porque se pai teve você terá também, para mim, além de não explicar nada, é uma justificativa, se não infantil, bastante ingênua.

                Outro fator importante a ser considerado é o caso de pés onde os arcos são assimétricos, ou seja, um pé plano, e outro nem tanto. Leves assimetrias podem até ser toleradas, mas também deve avaliado com cautela e bom senso.

                Frequentemente, os pacientes cheguem até nós só depois de um longo tempo de curso da patologia, apresentando uma protrusão, ou artrose adianta, nos restando correr atrás do prejuízo. Nesses casos, acredito que uma avaliação do estado dos pés, e até mesmo uma abordagem acerca dos problemas encontrados, não só é necessário, mas também indispensável, para uma evolução mais rápida por parte do paciente.

                Quero deixar claro que as relações trazidas no texto não são absolutas, apenas serve de um meio de reflexão para que possamos identificar outras relações do processo patológico, que já é bem complexo. Não podemos tratar como se não fosse.

Por: Dr. Ft. Esp. Diego Sales

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