29 de dezembro de 2012

Palmilha! Usar ou não usar? eis a questão!!!




                Na minha prática clínica tenho me deparado com situações até muito recorrente, motivo da até de uma postagem anterior, Síndrome da Perna Curta (clique aqui para ver a postagem). Não é difícil entender porque é tão frequente a presentar uma perna mais curta que a outra, de maneira funcional. Estamos sempre tendendo a assimetria, mesmo que de maneira inconsciente. É impossível termos mobiliário adequado em qualquer lugar que estejamos. Além disso, parece que sempre nos acomodamos numa posição que é falsamente confortável, ou será que a maioria das pessoas acham que assistir televisão deitadas desconfortável?

                Pois bem, vamos ao problema a ser tratado de fato nessa postagem: usar ou não palmilha? Aí parto para minha experiência clínica e o que tenho visto, para que você leitor, clínico ou alguém que está em busca apenas de uma informação de seu próprio caso possa, possa tirar suas próprias conclusões. O palmilhamento é importante de ser feito, mas existem algumas ressalvas a serem discutidas.

                A primeira seria quanto a Discrepância Funcional. Como explicada na postagem da Síndrome da Perna curta, essa discrepância se dá por desalinhamento de estruturas corporais, como vertebrais e pélvicas, ou mesmo por disfunção mecânica artrocinemática de membro inferior. Nesse caso, a palmilha nunca será resolutiva, pois não há como ser. Então é muito comum que pessoas com essa disfunção, quando palmilhadas, desenvolvam dores fortes, principalmente lombares. Aí depois de alguns anos, numa investigação da coluna lombar descobrem que há uma protrusão discal, colocando só nela a culpa. Mas, geralmente, toda a musculatura glútea, assim como paravertebrais e quadrado lombar estão espasmadas, apresentado pontos-gatilho ativos e latentes. Palmilhamento, nesses casos, está contra-indicado.

                A segunda seria a Discrepância Anatômica. Aqui o palmilhamento é indicado, mas também há considerações a serem feitas. Geralmente o paciente chega ao consultório com dores, depois de alguma peregrinação e aí descobrem que tem uma discrepância de membro inferior anatômica. Mas, o que não se vê é que também apresenta diferença funcional sobreposta a anatômica. Ou seja, toda aquela diferença não é anatômica, mas sim um processo de compensação que se instala, aumentando a diferença. É por isso que alguns clínicos, de maneira equivocada, dizem quem a discrepância aumentou. Ora, o osso encurtou? O que explica isso? Nesse caso, o paciente deve passar por abordagem que traga o melhor alinhamento possível, equilibrando a estrutura corporal, para depois ser palmilhada.

                E que palmilhamento deve ser feito? Isso é muito importante. Na verdade, a palmilha deve ser personalizada, não sendo apenas um calço, pois seu pé não é só calcanhar! Deve ser feita uma análise pressórica do pé, através do baropodometro, para depois sim, personalizar a palmilha, de acordo com o que foi apresentado no exame.

                Com essa postagem espero gerar discussões produtivas a respeito do tema abordado, a fim de procurarmos sempre a melhor conduta para nosso pacientes.

Por: Ft. Dr. Diego Sales (Diplomado em Quiropraxia)
Organizador do Blog

5 comentários:

GTR-Fisio disse...

Olá Diêgo!

Estou iniciando meus aperfeiçoamentos em terapias manual e posturologia. Tenho 2 anos de atuação profissional, no interior do estado do Pará.
Em minha ,quase, insignificante experiência, procuro determinar se a discrepância é estrutural ou funcional, no caso de ser estrutural (congênita ou adquirida) recomendo "palmilha", que sempre é uma aumento do solado do calçado, feita por um sapateiro, devido a insistência geográfica de recursos específicos e a baixa condição monetária da grande maioria dos pacientes, Baseando-se na avaliação postural e na boa e velha fita métrica apenas. Mas uma curiosidade me acompanha sobre este assunto, tive um paciente com discrepância de 5,2 cm, decorrente de trauma por arma de fogo (imagine como ficou o chinelo e o tênis do sujeito), então minha curiosidade é, até onde corrigir com palmilhas? qual o limite métrico?
Valeu!

Dr. Diêgo Sales (Organizador do Blog) disse...

Gabriel,
Não tenho a resposta exata para o seu questionamento. Mas acredito que não existe um limite métrico. O que existirá, na verdade, é a resistência ou não por parte do paciente, como também a não aceitação de sua condição. Quanto a isso, deve ser conversado com o paciente apontando os prós e contras da abordagem pretendida. Nesses casos, também seria importante a realização da escanometria. Gosto, e na verdade prefiro, adaptações de palmilhas posturais dentro do calçado, acho bastante pertinente esse tipo de abordagem. Agora a avaliação deve ser continua, vendo se aquele calço realmente está ajudando. Uma vez colocado, acho importante estabelecer um período para se estar mudando, e não esperar o desgaste total.Como também assegurar-se de que todos os calçados que o paciente use está com a mesma simetria. Inclusive o que usa em casa. Por curiosidade, sempre avalie a tamanho da perna periodicamente, vendo se a diferença tende aumentar. Nesse caso, você deve perceber que uma diferença funcional começa a se instalar.

GTR-Fisio disse...

Diêgo
Realmente determinar um limite de altura será impossível, acredito que a avaliação funcional determinara, individualmente, seu limite entre palmilha ou muleta.
Não tenha nenhum curso ou especialização em palmilhas, mas sei que uma palmilha de correção dentro de um calçado, com discrepância de 2cm, 3cm ou mais, são impossíveis em um calçado comum, como você faz esta adaptação?
Ao meu ver isto é impossível a não ser que seja um caçado feito projetado para o próprio paciente.
O importante, como você descreveu, será a avaliação e re-avaliação, para saber se as condutas estão ou não resultando benefícios.

GTR-Fisio disse...

Com certeza, determinar um valor X será impossível, sendo a avaliação e o bom senso determinantes para se decidir entre correção do calçado ou muleta, em casos extremos de dúvidas.
Você falou de sua preferencia em palmilhas dentro do calçado, só para esclarecer não tenho nenhum curso sobre palminhas ou semelhante, mas!, no caso de um discrepância de 2cm, 3cm, pra mais, será impossível uma correção dentro do calçado, em minha visão, as palmilhas serão importantes para correção da pisada, mas para corrigir discrepâncias seria o aumento do solado mesmo.
Valeu Diêgo!

Dr. Diêgo Sales (Organizador do Blog) disse...

Certamente Gabriel, uma palmilha com essa diferença para colocar dentro do calçado seria inconveniente. Em casos de discrepância pequenas, ainda considero a palmilha postural um melhor opção!As palmilhas também são importantes estímulos para captores podais, não só corrigir a pisada, mas a estrutura corporal como um toda. Se a pisada está incorreta, é porque deve existe um desequilíbrio estática de base.
Obrigado pelos comentários!!!
Abraço.