22 de setembro de 2012

O que você precisa saber sobre fibromialgia



               
            Tenho observado, em minha prática clínica, uma certa confusão no que se refere a fibromialgia. Por vezes, tem chegado em minha clínica, acredito que na maioria em muitas clínicas de tratamento da dor, paciente com diagnósticos equivocados de fibromialgia. Ao longo dessa postagem vou discutir alguns do sinais e sintomas que norteiam o diagnóstico da fibromialgia e entender qual confusão tem acontecido nos diagnósticos, isso porque seu diagnóstico é essencialmente clínico, não havendo exames que o subsidiem.

            Bom, para começar vamos falar do termo. É bem certo que o termo fibromialgia nos remete a imaginar que há uma alteração fibrosa (fibro) do músculo (mio) que gera dor (algia), o que não parece ser muito adequado. Embora alguns achados histológicos apresentando áreas de alterações fibrosas tenham sido encontrados, não foram conclusivos, sendo portanto o emprego do termo um pouco inadequado.

            Há quem prefira chama-la de síndrome fibromiálgica, já que envolve diversos fatores, ainda não bem compreendidos, como emocional, genética, neuroendócrino, entre outros.

            O que é mais comum e marcante da fibromialgia é o fato de apresentar-se como uma doença que gera dor em praticamente todo o corpo, além de fadiga. O indivíduo acorda cansado, dorme cansado, pra não dizer que passa o dia sentido esse cansaço. Ao acordar, o indivíduo pode experimentar uma rigidez matinal. Tem ainda certa depressão e insônia. Isso vai minando o indivíduo acometido de uma forma que o no seu dia a dia, no trabalho, nos relacionamentos. Também deve estar associado a síndrome do intestino irritável. Diante desses aspectos, o diagnóstico começa a se desenhar.

            Os acometidos pela síndrome podem identificar em si mesmos nódulos em seus principais músculos, sendo eles aqueles “ruim” e “velho” (se é que me permitem o trocadilho) ponto-gatilho. Chega a ser facilmente identificado, produzindo a dor referida de forma espontânea o à dígito-pressão (quando forem avaliar, aliviem na dígito-pressão). Além disso, miogeloses podem ser encontradas (estas são nodulações mais extensas, de fisiopatologia diferente, que não produzem dor referida a pressão digital) e tender points.

            Os tender points precisam de um esclarecimento adicional, já que seu conhecimento é muito importante para o critério de diagnóstico elencado pela American College of Rheumatology (ACR). Segundo Chaitow, o tender point provoca dor local e não referida, podendo ser encontrado tanto na musculatura como em estruturas ósseas e articulares. São manifestações sensoriais das disfunções musculares e neuromusculares do nível vertebral correspondente, configurando um distúrbio secundário.

            A ACR define que uma história típica de dor generalizada crônica (>3 meses) e dor à palpação em pelo menos 11 dos 18 tendes points de tecido mole anatomicamente definido, associada a história clínica de fadiga, insônia, depressão e síndrome do intestino irritável.

Mapa de tender points
            Não é um diagnóstico fácil. Mas aí vem a minha crítica. É muito, mas muito mais fácil dizer a uma paciente que dor, e essa dor não passa com os procedimentos escolhidos, que ele tem fibromialgia. Pois acaba acobertando a falta de conhecimento e incompetência profissional a cerca do tratamento não efetivo. Muitos desses pacientes têm na verdade uma síndrome miofascial local, que se não tratada levará a outras síndromes miofasciais locais, pois o corpo como um conjunto interligado por fáscias permitirá que surjam compensações musculoesquelética a fim, de frustradamente, resolver o problema primário. Sendo assim, o paciente que se submete a um tratamento com proposta de resolver essa disfunção, pode em pouco tempo resolver o problema de dor. Curou a fibromialgia? Não! Porque não tinha fibromialgia.

            Ai comento algo que é penoso para os pacientes acometidos de fibromialgia. A fibromialgia não tem cura, mas tem controle. É preciso encontrar essa formula de controle individualmente. E para isso é preciso ter paciência. Terapias manuais são muito bem quistas nesse tratamento, mas é preciso comprometimento dos paciente para seguir a recomendações propostas pela equipe de saúde que acompanha o paciente.

Por: Ft. Esp. Diego Sales (Organizador do Blog)
Integrante do Centro Paraibano de Quiropraxia
Fone: (83) 3021 8790

Referências
1.    Yunus MB, Kalyan-Raman UP, Kalyan-Raman K, Masi a T. Pathologic changes in muscle in primary fibromyalgia syndrome. The American journal of medicine . 1986 Sep 29;81(3A):38–42.
2.    Chaitow L. Técnicas de Liberação Posicional para Alívio da Dor. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.
3.    D’Ambrogio KJ, Rothe GB. Terapia de Liberação Posicional (PRT). Avaliação e tratamento da disfunção musculoesquelética. São Paulo : Manole; 2005.
4.    Lavelle ED, Lavelle W, Smith HS. Miofascial Trigger Points. The Medical Clinics of North America. Nova Iorque, vol. 91, pág. 229-239, 2007.
5.    Huguenin LK. Myofascial trigger points: the current evidence. Physical Therapy  in Sport . 2004 Feb [cited 2012 Mar 8];5(1):2–12.
6.    Kostopoulos D, Rizopoulos K. Pontos-gatilho miofasciais: teoria, diagnóstico, tratamento. Rio de Janeiro: Ed. Lab, 2007.

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