16 de maio de 2012

Entendendo um pouco sobre osteoartrose (OA)


           É uma doença osteoarticular degenerativa que apresenta uma anormalidade na cartilagem hialina, gerando sintomatologia variada. O processo degenerativo pode estar ligado a causas hereditárias, doenças endócrinas, desarranjos articulares e doenças inflamatórias. O quadro abaixo coloca algumas dessas causas.
A OA muito frequente e tem a prevalência aumentada com a idade mais avançada, afetando mais de 75% das pessoas acima de 65 anos de idade, e 10% dos que têm mais de 60 anos possuem limitação física por OA. Acima dos 50 anos de idade, incide mais em mulheres, em mãos, joelhos e pés. No Brasil, a prevalência da OA é estimada em 16%.

Quanto a etiopatogenia, há um desequilíbrio entre a degradação da cartilagem e o processo de recuperação. Fatores sistêmicos e locais importantes a serem considerados na ativação da ação catabólica degenerativa da cartilagem hialina. Dentre os fatores locais temos:

- Etnia: como exemplo temos que osteoartrite de quadril e mãos são menos frequentes em chineses do que em norte-americanos.
- Idade: o processo de envelhecimento atrela-se a perda de mecanismos protetores da articulação, como a capacidade de condrócitos responderem a fatores de crescimento, acúmulo de metabólitos, diminuição de força e resposta proprioceptiva que predispõe a articular a lesão por perda de eficiência neuromotora, cartilagem mais fina e com maior predisposição a microfratura.
- Sexo: os homens apresentam maior predisposição a osteoartrose do quadril, enquanto as mulheres mãos , joelhos e pés. Na literatura consta uma relação um tanto ambígua quanto ao estrógeno, ora sendo apresentada como deletéria, ora como protetora.
- Fator genético: a predisposição genética parece ser mais clara, sendo uma herança poligênica, onde fatores ambientais estariam envolvidos na expressão gênica. A principal mutação é gene do procolágeno tipo II, responsável pela expressão do colágeno tipo II.

            Como fatores locais estão fraturas articulares ou periarticulares prévias, como lesão de ligamento e menisco. A obesidade está duplamente associada à OA de joelhos, tanto como fator predisponente quanto uma constatação de que pacientes que apresentam OA de joelhos ganham peso posteriormente e pioram clínica e radiologicamente.

Práticas desportivas que resultam em lesões ligamentares, meniscais ou fraturas aumentam o risco de desenvolver OA. Alterações na biomecânica articular tais como frouxidão ligamentar, displasia articular, instabilidade, distúrbios na inervação articular ou de músculos, assim como força e condicionamento inadequado favorecem o aparecimento de AO.

A adição de carga na articulação não é maléfica, isso quando acontece de forma moderada, pois a leva a um estímulo de de proteoglicanos, ajudando a cartilagem a se tornar mais espessa. Mas quando a carga é excessiva e contínua, há uma ação supressora da ação metabólica da cartilagem, gerando do ao tecido cartilaginoso.



 Fases da evolução da artrose. A degeneração cartilaginosa é caracterizada por alterações profundas na superfície articular. Fibrilação, fissuras e erosões são eventos que podem estar presentes. A cartilagem articular da cabeça femoral é mais espessa na região que entra em contato com o teto acetabular do que na periferia. Não sendo a cabeça bem posicionada, a carga sobre a cartilagem periférica mais fina resultará em artrose. Após o início da OA, o estreitamento do espaço articular e esclerose subcondral aparecem cedo. Muitas vezes isso ocorre primeiro na porção inferior medial, mas pode ocorrer superiormente, na área de sustentação do peso. Surgem os osteófitos marginais na porção inferior da cabeça femoral. Com o avanço da doença e o contínuo estreitamento do espaço articular podem ocorrer colapso do osso subcondral. À medida que a cabeça femoral se achata, desenvolvem-se cistos no interior do osso subcondral da cabeça femoral e do acetábulo, primariamente nas áreas de sustentação do peso (Figura 1).

Referências

Pelletier JP, Martel-Pelletier J, Howell DS. Etiopathogenesis of osteoarthritis. In: Koopman WJ. Arthritis and allied conditions. 14th ed. Philadelphia: Lippincott Williams &Wilkins; 2001. p.2195-215.

Garstang SV, Stitik TP. Osteoarthritis: epidemiology, risk factors, and pathophysiology. Am J Phys Med Rehabil. 2006;85(11 Suppl):S2-11



Por: Esp. Dr. Diego Sales
Organizador do Blog

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