5 de julho de 2011

Os ossos do cranio se mexem

Isso é sim uma afirmação. Embora pareça meio louco e insensato, muitos acreditam sim que os ossos do crânio se movem, existindo terapias especificas para o desarranja provocado pela estrutura craniana: Terapia Cranio-Sacral. É evidente que os movimentos não são de grande expressão, mas sim minimamente pequenos, o bastante para não percebermos, mas o suficiente para gerar seu efeito sobre o corpo.  
William Sutherland (1873-1954, um osteopata de formado pela faculdade em Kirksville, foi quem iniciou as pesquisas e desenvolveu boa parte da teoria e técnica que fundamenta, ainda nos dias atuais, a terapia craniana. Tudo surgiu a partir de um pensamento por anos alimentadoo seguinte pensamento: “Contemplando os ossos do crânio eu fiquei atento para os biseis das superfícies articulares do temporal, de repente eu pensei que essas superfícies, como os ouvidos dos peixes,  poderia ter um mecanismo respiratório”. O pensamento simples e ao mesmo tempo louco ficou por anos em sua mente e o fez estudar minunciosamente os ossos do crânio.
De fato, conhecemos as suturas cranianas, que por anos vão se fechando e perdendo, portanto, sua mobilidade. Se as suturas não se “colam” totalmente, podemos pensar que sua mobilidade também não é totalmente inexistente.
Sua ânsia de descobrir tudo o que a estrutura craniana escondia até então, Sutherland passou a induzir lesões em si mesmo para identificar o que elas poderiam levar e seguidamente produzir a correção necessário para aquela situação. Em briografia escrita por sua esposa é revelado o seguinte: “Certa feita, após uma forte lesão auto induzida Will não foi o mesmo em vários sentidos, ele estava extremamente nervoso, tenso e facilmente irritável. Isso contrastando muito com o seu caráter normalmente calmo e equilibrado. Sua cor mudava, algumas vezes pálido com expressão facial modificada. Como ele queria analisar as reações e os efeitos, sem se precipitar, ele não corrigiu a lesão imediatamente”.
Os seus primeiros pacientes foram sua família, onde o Sutherland teve resultados favoráveis e o fez decidir iniciar a experimentação em seus pacientes, terminando assim de fundamentar sua técnica, sendo seus resultados ainda mais satisfatórios.
Em 1929, Sutherland resolve então divulgar a sua técnica, não muito diferente dos dias atuais, a maioria dos profissionais daquela época renegaram sua teoria, acusando-o de não embasá-la em bases científicas. Chegou a publicar alguns artigos e outros colegas começaram a divulgar sua técnica, mas ainda não com a coerência que esperava. A partir de então resolveu ele mesmo expor o conceito craniano.
Nesse período, Sutherland passa a ter mais contato com crianças, fazendo valer sua técnica, vendo os impressionantes resultados, fazendo-o compreender ainda mais a relação das assimetrias do crânio e a saúde. Publicou em 1939 um folheto contendo informações sobre os conceitos básicos de sua técnica na tentativa de cativar o profissionais de sua importância, mas sem nenhum resultado.
Com o passar dos anos, os resultados conseguidos através dessas técnicas foram suficientes para trazer o respeito devido a tal técnica, que até hoje parece inovadora. William Sutherland morreu em 23 de setembro de 1954, aos 82 anos, deixando um grande legado para a Terapia Manipulativa.

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