14 de julho de 2011

COMO SABER A CONDUTA IDEAL PARA O NOSSO PACIENTE?


Hoje, vamos conversar a cerca de como escolher o melhor tratamento para nosso paciente e do que vem a ser a tão famigerada Fisioterapia Baseada em Evidência, cuja base advém da já consagrada Medicina Baseada em Evidência, tornando a profissão médica tão bem consolidada.
Então o que é basear-se em evidência???
Pois bem, evidência científica é toda produção científica que se torna pública por meio da exposição de um manuscrito em periódico ou revista científica de circulação impressa/online e que serve de material formativo para nossa prática clínica profissional. Para nós, fisioterapeutas, isso é de grande importância por 2 motivos: primeiro, porque existe pouca produção científica de boa qualidade no nosso meio e segundo, ainda existe uma grande parcela de fisioterapeutas que não norteiam suas condutas terapêuticas baseados em confirmações científicas.
Portanto, devemos ler artigos científicos para determinar qual conduta ou recurso terapêutico utilizar no tratamento das Lombalgias, por exemplo????
Exatamente! Contudo não podemos nos deixar levar por qualquer artigo que venha nos dizer se esta ou aquela forma de tratamento é eficaz, eficiente, sem risco a longo prazo e sem efeitos colaterais. Existe uma classe de artigos que são chamados de norteadores de condutas clínicas, as Revisões Sistemáticas com Meta-Análise. Este tipo de publicação reuni os melhores artigos já publicados relacionado ao tema de interesse, p.ex.: Lombalgia, e faz uma avaliação do que realmente promove efeitos de relevância terapêutica e seu grau de confiabilidade. Além da Revisão Sistemática, existem outros tipos de artigos que podem ajudar em nossa prática clínica, como os Ensaios Clínicos Randomizados (Aleatórios), mas em menor grau de confiabilidade. Veja a baixo a pirâmide hierárquica de evidência, sendo o topo o maior nível de confiabilidade na determinação da conduta terapêutica:




Fica uma recomendação para maior aprofundamento, ler um pouco sobre os outros tipos de pesquisa.
            E se não existe pouca produção científica sobre a terapia ou patologia que estou interessado???
            Bem amigo, isso quer dizer que não existe evidencia científica para o que você quer fazer com seu paciente (isto é muito comum na Fisioterapia, infelizmente). E recomendo não fazer do paciente, sem seu consentimento e formalização, cobaia de alguma conduta que venha a pensar que seja eficaz para resolver o problema dele. Isto vai de encontro às determinações da Resolução 196/96 que regulamenta as pesquisas com seres humanos no Brasil.
            Não fique triste!!!! Existe um caminho para contornar essa situação, é um pouco demorado, as vezes tedioso, outras vezes tem que passar noites e noites e até fim de semana fazendo isso.... Mas no final torna-se gratificante quando o empenho necessário é dado. Enfim, o que estou falando é em PESQUISAR! Isso mesmo. Nossa profissão está precisando de bons pesquisadores para realizar boas pesquisas que tornem nossas ações mais alicerçadas em evidencia científicas e nos deixem munidos de argumentos para as discussões científicas com outros profissionais e ajudar a tratar nossos pacientes.
            Mas é difícil ser pesquisador???
            Não! Esta é uma opinião pessoal (não tem muita evidência, hehehehe). Para se tornar um pesquisador precisa-se de muita dedicação para leitura do que já se produziu de conhecimento na sua área de interesse e ter responsabilidade para se capacitar nos métodos e técnicas de pesquisa para os problemas das investigações.
            Pensando nisso, a partir de agora iremos iniciar uma Série de postagens, destinadas a quem tem interesse em pesquisar, acerca de como são os métodos de pesquisa e, principalmente, sobre Bioestatística, a qual é uma ferramenta indispensável para se realizar pesquisa e que é negligenciado pelos iniciantes e também por quem já está inserido no meio. 
            É isso galera....... até a primeira aula.

SAMPAIO, RF; MANCINI, MC. Estudos de revisão sistemática: um guia para síntese criteriosa da evidência científica. Rev. bras. fisioter.,  São Carlos,  v. 11,  n. 1, fev.  2007.
JATENE, Fabio B.; BERNARDO, Wanderley Marques; MONTEIRO-BONFA, Rosangela. O processo de implantação de diretrizes na prática médica. Rev Bras Cir Cardiovasc,  São Paulo,  v. 16,  n. 2, June  2001 .

Por: Johnnatas Mikael Lopes
Mestrando em Saúde Pública - UEPB
Fisioterapeuta Esp. em Fisioterapia Traumato-Ortopédica e Desportiva

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