27 de julho de 2011

Aula II: Introdução a Bioestatística

AULA II: INTRODUÇÃO À BIOESTATÍSTICA

            Acho que muito de vocês já leram algum artigo científico que, por ventura, um professor recomendou em suas aulas na faculdade ou mesmo durante a elaboração da monografia de conclusão de curso e se depararam com termos estranhos como teste t, p<0,05, teste x2, ICC 95% ou informações como “a média da força muscular do grupo de intervenção foi maior que a do grupo controle”, além de gráficos, tabelas e quadros que apresentavam dados referentes ao tema lido. No primeiro momento, isto tudo pode ser chato e dificultar sua leitura. E dificulta mesmo, quando nós não sabemos como interpretar-los. No entanto, esses termos estranhos são fundamentais para se realizar uma boa pesquisa e, ainda mais, para podemos divulgar as informações que encontramos nos nossos estudos.
O que os gráficos dizem???
Pois bem, todos os termos estranhos acima citados, assim como gráficos e tabelas, fazem parte do arsenal de ferramentas que a Bioestatística fornece ao pesquisador desde o momento de planejamento da pesquisa (elaboração do projeto) até na hora em que ele tem, em mãos, as informações do seu objeto de estudo para que possa interpretar-las. Pelo visto, podemos observar que se torna praticamente impossível realizar uma pesquisa quantitativa sem a utilização da Bioestatística.    
Objetivamente, a Bioestatística pode ser dividida em dois segmentos: Estatística Descritiva e a Estatística Inferencial. A primeira tem a função de descrever as características do objeto de estudo, por exemplo, a média de idade de alunos do sexo masculino de uma escola ou a porcentagem de bebês nascidos com baixo peso em uma maternidade, como também, é responsável pelas apresentações dessas informações em gráficos, tabelas ou quadros, tornando-os mais fácil sua interpretação.                  
Por outro lado, a Estatística Inferencial são aqueles termos estranhos que encontramos na seção de materiais e métodos ou nos resultados de artigos científicos, por exemplo o teste t, teste x2, p<0,05 e muitos outros, permitindo-nos emitir juízo de valor. Isto que dizer que podemos afirmar a respeito de determinado fato que ocorre em um grupo de pessoas (amostra), quando não se pode observar em todas as pessoas (população) com a mesma característica, e poder extrapolar essa afirmação para sua população de origem. Por exemplo: verificar se um grupo de pacientes no pós-cirúrgico de ruptura de ligamento cruzado anterior do joelho terá a mesma força muscular no quadríceps anterior à lesão e, em seguida, afirmar que esses achados podem ser verdadeiros para a população de origem da amostra. 
Embora tratada de forma segmentada da Estatística Descritiva, a Estatística Inferencial necessita desta última para ser realizada, como veremos mais adiante neste curso. Portanto, estudaremos primeiramente a Estatística Descritiva e, posteriormente, a Inferencial a partir da próxima aula.
Mas antes é importantíssimo fixar os conceitos de População e de Amostra para que nossa base de conhecimento fique bem consolidada. Logo, temos que saber que População é um conjunto de pessoas, animais ou objetos que compartilham uma característica em comum num dado tempo e espaço, por exemplo: População de idosos da cidade de São Paulo em 2010 ou a população de peixes de um reservatório no último verão. Por outro lado, Amostra é um subconjunto da População, ou seja, alguns componentes da população a representam de forma fidedigna, sendo utilizada quando não se pode observar todos os integrantes do conjunto devido á inviabilidade de tempo e financeira com esta ação. Um exemplo seria sortear grupos de idosos de cada bairro de São Paulo para compor uma amostra da População idosa da cidade. 

Por:
Johnnatas Mikael Lopes
Mestrando em Saúde Pública - UEPB
Fisioterapeuta Esp. em Fisioterapia Traumato-Ortopédica e Desportiva

18 de julho de 2011

Quick Quiz

No blog esse é o nosso primeiro Quick Quiz! Ele consiste de perguntas rápidaz onde tentaremos levantar algum aspecto importante para nossa vida prática da clínica e instigar a VOCÊS respondê-las! Portatando, peço que participem tanto enviando perguntas para o fisioterapiamanualjd@gmail.com , bem como respondendo aqui no nosso blog! O Quick Quiz de hoje já foi iniciado fo Facebook do blog!

O que é mais fácil, erguer uma carga concentricamente ou abaixá-la de forma excêntrica? Porque?


BIOESTATÍSTICA: AULA I

 MÉTODOS DE PESQUISA
            Iniciaremos nossas aulas a partir da introdução das formas de como se faz pesquisa atualmente, baseadas no conhecimento científico, cujo referencial difere dos outros tipos de conhecimento como o senso comum e religioso, por causa da utilização da sua estratégia inerente que é o Método Científico. Este é a forma ou caminho pelo qual os pesquisadores, de forma sistemática, devem seguir para alcançar o objetivo de descrever ou explicar determinado fenômeno.
            Mais precisamente, a pesquisa científica pode ser classificada em pesquisas quantitativas, qualitativas ou quanti-qualitativa, sendo esta última de maior complexidade e valor inferencial tanto para a área de Saúde como Ciências Sociais. Para o propósito deste curso virtual em Bioestatística, nos deteremos a falar para os interessados em pesquisas quantitativas, a qual se destina as ferramentas estatísticas. De toda forma, enfatizo a importância e a necessidade de se realizar pesquisas qualitativas, tendo em vista que nem todos os fenômenos são explicáveis através de números ou logística matemática. 
            Os pesquisadores da área de saúde, na maioria das vezes, têm o intuito de desenvolver tratamentos eficazes para disfunções sistêmicas, conhecer melhor a história natural de alguma doença, entre outras situações de saúde. Para que se alcance tal objetivo, podemos apenas observar o fenômeno, através de Pesquisas Observacionais, ou podemos interferir nos fatos que estamos estudando por meio de Pesquisas Intervencionistas ou Experimentais.
            As pesquisas ou delineamentos Experimentais podem ocorrer tanto em seres humanos, quando não prejudiciais a vida do participante, ou realizados com modelo animal (macacos, camundongos ou cachorros). Estes últimos possuem um nível de evidência mais baixo quando comparados aos estudos com humanos e aos observacionais.  
            Quando o objetivo da pesquisa é verificar os efeitos a longo prazo de terapias como a manipulação da coluna lombar ou saber quais os fatores de risco para hérnia de disco, não podemos intervir nesta situação, apenas observar. Logo, existem estratégias como estudos de Coorte onde se faz a observação de grupos de indivíduos com características de interesse em comum, como a manipulação da coluna lombar, e detectamos em períodos pré-determinados os fatos de interesse, como limitação da ADM ou nível de dor. Por outro lado, pode-se elaborar um estudo do tipo Caso-Controle em que indivíduos já acometidos pelo fato de interesse, como a hérnia de disco cervical, são comparados com participantes sem a manifestação da doença, sem hérnia discal, e verificar quais são as diferenças entre eles que podem ser determinantes da disfunção.   
            Grosso modo, é assim que podemos classificar as pesquisas científicas. Contudo, elas apresentam mais características importantes, como também, ainda existem outras formas de estudos que podem ser mais adequados para objetivos distintos. Cabe a quem se interessar, procurar os referenciais bibliográficos de estudo epidemiológicos para melhor aprofundamento.

Até mais!
Johnnatas Mikael Lopes
Mestrando em Saúde Pública - UEPB
Fisioterapeuta Esp. em Fisioterapia Traumato-Ortopédica e Desportiva

14 de julho de 2011

COMO SABER A CONDUTA IDEAL PARA O NOSSO PACIENTE?


Hoje, vamos conversar a cerca de como escolher o melhor tratamento para nosso paciente e do que vem a ser a tão famigerada Fisioterapia Baseada em Evidência, cuja base advém da já consagrada Medicina Baseada em Evidência, tornando a profissão médica tão bem consolidada.
Então o que é basear-se em evidência???
Pois bem, evidência científica é toda produção científica que se torna pública por meio da exposição de um manuscrito em periódico ou revista científica de circulação impressa/online e que serve de material formativo para nossa prática clínica profissional. Para nós, fisioterapeutas, isso é de grande importância por 2 motivos: primeiro, porque existe pouca produção científica de boa qualidade no nosso meio e segundo, ainda existe uma grande parcela de fisioterapeutas que não norteiam suas condutas terapêuticas baseados em confirmações científicas.
Portanto, devemos ler artigos científicos para determinar qual conduta ou recurso terapêutico utilizar no tratamento das Lombalgias, por exemplo????
Exatamente! Contudo não podemos nos deixar levar por qualquer artigo que venha nos dizer se esta ou aquela forma de tratamento é eficaz, eficiente, sem risco a longo prazo e sem efeitos colaterais. Existe uma classe de artigos que são chamados de norteadores de condutas clínicas, as Revisões Sistemáticas com Meta-Análise. Este tipo de publicação reuni os melhores artigos já publicados relacionado ao tema de interesse, p.ex.: Lombalgia, e faz uma avaliação do que realmente promove efeitos de relevância terapêutica e seu grau de confiabilidade. Além da Revisão Sistemática, existem outros tipos de artigos que podem ajudar em nossa prática clínica, como os Ensaios Clínicos Randomizados (Aleatórios), mas em menor grau de confiabilidade. Veja a baixo a pirâmide hierárquica de evidência, sendo o topo o maior nível de confiabilidade na determinação da conduta terapêutica:




Fica uma recomendação para maior aprofundamento, ler um pouco sobre os outros tipos de pesquisa.
            E se não existe pouca produção científica sobre a terapia ou patologia que estou interessado???
            Bem amigo, isso quer dizer que não existe evidencia científica para o que você quer fazer com seu paciente (isto é muito comum na Fisioterapia, infelizmente). E recomendo não fazer do paciente, sem seu consentimento e formalização, cobaia de alguma conduta que venha a pensar que seja eficaz para resolver o problema dele. Isto vai de encontro às determinações da Resolução 196/96 que regulamenta as pesquisas com seres humanos no Brasil.
            Não fique triste!!!! Existe um caminho para contornar essa situação, é um pouco demorado, as vezes tedioso, outras vezes tem que passar noites e noites e até fim de semana fazendo isso.... Mas no final torna-se gratificante quando o empenho necessário é dado. Enfim, o que estou falando é em PESQUISAR! Isso mesmo. Nossa profissão está precisando de bons pesquisadores para realizar boas pesquisas que tornem nossas ações mais alicerçadas em evidencia científicas e nos deixem munidos de argumentos para as discussões científicas com outros profissionais e ajudar a tratar nossos pacientes.
            Mas é difícil ser pesquisador???
            Não! Esta é uma opinião pessoal (não tem muita evidência, hehehehe). Para se tornar um pesquisador precisa-se de muita dedicação para leitura do que já se produziu de conhecimento na sua área de interesse e ter responsabilidade para se capacitar nos métodos e técnicas de pesquisa para os problemas das investigações.
            Pensando nisso, a partir de agora iremos iniciar uma Série de postagens, destinadas a quem tem interesse em pesquisar, acerca de como são os métodos de pesquisa e, principalmente, sobre Bioestatística, a qual é uma ferramenta indispensável para se realizar pesquisa e que é negligenciado pelos iniciantes e também por quem já está inserido no meio. 
            É isso galera....... até a primeira aula.

SAMPAIO, RF; MANCINI, MC. Estudos de revisão sistemática: um guia para síntese criteriosa da evidência científica. Rev. bras. fisioter.,  São Carlos,  v. 11,  n. 1, fev.  2007.
JATENE, Fabio B.; BERNARDO, Wanderley Marques; MONTEIRO-BONFA, Rosangela. O processo de implantação de diretrizes na prática médica. Rev Bras Cir Cardiovasc,  São Paulo,  v. 16,  n. 2, June  2001 .

Por: Johnnatas Mikael Lopes
Mestrando em Saúde Pública - UEPB
Fisioterapeuta Esp. em Fisioterapia Traumato-Ortopédica e Desportiva

5 de julho de 2011

Os ossos do cranio se mexem

Isso é sim uma afirmação. Embora pareça meio louco e insensato, muitos acreditam sim que os ossos do crânio se movem, existindo terapias especificas para o desarranja provocado pela estrutura craniana: Terapia Cranio-Sacral. É evidente que os movimentos não são de grande expressão, mas sim minimamente pequenos, o bastante para não percebermos, mas o suficiente para gerar seu efeito sobre o corpo.  
William Sutherland (1873-1954, um osteopata de formado pela faculdade em Kirksville, foi quem iniciou as pesquisas e desenvolveu boa parte da teoria e técnica que fundamenta, ainda nos dias atuais, a terapia craniana. Tudo surgiu a partir de um pensamento por anos alimentadoo seguinte pensamento: “Contemplando os ossos do crânio eu fiquei atento para os biseis das superfícies articulares do temporal, de repente eu pensei que essas superfícies, como os ouvidos dos peixes,  poderia ter um mecanismo respiratório”. O pensamento simples e ao mesmo tempo louco ficou por anos em sua mente e o fez estudar minunciosamente os ossos do crânio.
De fato, conhecemos as suturas cranianas, que por anos vão se fechando e perdendo, portanto, sua mobilidade. Se as suturas não se “colam” totalmente, podemos pensar que sua mobilidade também não é totalmente inexistente.
Sua ânsia de descobrir tudo o que a estrutura craniana escondia até então, Sutherland passou a induzir lesões em si mesmo para identificar o que elas poderiam levar e seguidamente produzir a correção necessário para aquela situação. Em briografia escrita por sua esposa é revelado o seguinte: “Certa feita, após uma forte lesão auto induzida Will não foi o mesmo em vários sentidos, ele estava extremamente nervoso, tenso e facilmente irritável. Isso contrastando muito com o seu caráter normalmente calmo e equilibrado. Sua cor mudava, algumas vezes pálido com expressão facial modificada. Como ele queria analisar as reações e os efeitos, sem se precipitar, ele não corrigiu a lesão imediatamente”.
Os seus primeiros pacientes foram sua família, onde o Sutherland teve resultados favoráveis e o fez decidir iniciar a experimentação em seus pacientes, terminando assim de fundamentar sua técnica, sendo seus resultados ainda mais satisfatórios.
Em 1929, Sutherland resolve então divulgar a sua técnica, não muito diferente dos dias atuais, a maioria dos profissionais daquela época renegaram sua teoria, acusando-o de não embasá-la em bases científicas. Chegou a publicar alguns artigos e outros colegas começaram a divulgar sua técnica, mas ainda não com a coerência que esperava. A partir de então resolveu ele mesmo expor o conceito craniano.
Nesse período, Sutherland passa a ter mais contato com crianças, fazendo valer sua técnica, vendo os impressionantes resultados, fazendo-o compreender ainda mais a relação das assimetrias do crânio e a saúde. Publicou em 1939 um folheto contendo informações sobre os conceitos básicos de sua técnica na tentativa de cativar o profissionais de sua importância, mas sem nenhum resultado.
Com o passar dos anos, os resultados conseguidos através dessas técnicas foram suficientes para trazer o respeito devido a tal técnica, que até hoje parece inovadora. William Sutherland morreu em 23 de setembro de 1954, aos 82 anos, deixando um grande legado para a Terapia Manipulativa.