29 de junho de 2011

Biofotogrametria

      Quantas vezes, em nossos consultórios, numa anamnese evidenciamos alterações posturais e comentamos ao nosso paciente. Infelizmente, muitos pacientes precisam acreditar no que dizemos, por não tem como confirmar o que lhe afirmamos. O que acho mais complicado é apresentar ao paciente melhoras do protocolo de tratamento ao qual aderiu sem nenhum dado palpável.
            A biofotogrametria é uma ferramenta que pode sanar essas dificuldades, onde o profissional avalia e interpreta os dados mensurados e pode apresentar ao paciente dados palpáveis de como o seu corpo está no momento e, o que acho mais importante, mostra como evolui o tratamento, pois o paciente poderá ver o quanto melhorou. A seguir virá algumas definições acerca da biofotogrametria e um pouco do histórico.
O termo de etimologia grega (photos=luz; gramma= desenhado ou escrito; metros= medir), designa um método inicialmente usado na cartografia que foi adaptada para análise biomecânica, podendo ser também denominada de biofotogrametria (COFFITO, 2002).
            A American Society for Photogrammetry and Remote Sensing – ASPRS (2008) define a fotogrametria como arte, ciência e tecnologia de obtenção de informações confiáveis sobre os objetos físicos e o meio ambiente através de processos de gravação, medição e interpretação de imagens fotográficas e padrões da energia eletromagnética radiante e outros fenômenos.
            A técnica é simples e de fácil aplicabilidade, tendo como vantagem o baixo custo para aplicação clínica, facilidade na fotointerpretação, alta precisão e reprodutibilidade dos resultados (BARAÚNA et al., 2004). Com o desenvolvimento de softwares que permitam a mensuração de ângulos e distancias horizontais, verticais com diversas finalidades, ficou ainda mais fácil de realizar a análise métrica das fotos digitais. Um dos softwares utilizados com essa finalidade é o CorelDraw. Outro software disponível livre e gratuitamente é o Software para Avaliação Postural.
            Inicialmente a biofotogrametria foi usada em Portugal, chegando a Brasil na década de 80, quando os primeiros estudos no país começaram a serem realizados (FERREIRA, 2008).  Desde então, vários estudos tem sido realizados, com diversas aplicabilidades: no estudo da marcha (RIBAS et al. 2007), na mecânica respiratória (RICIERI; ROSÁRIO;COSTA, 2008; VINHA; ROSÁRIO FILHO, 2008) , na avaliação de disfunções temporomandibulares (CORRERI et al. 2010), na avaliação postural em  mastectomizadas (BARAÚNA et al., 2004), escoliose (IUNES et al. 2010), distúrbios neurológicos (FARIAS, 2009;COELHO JÚNIOR et al., 2010), dentre outros.
            Estudos para avaliar a confiabilidade e validar medidas de medições também estão foram desenvolvidos, a fim de tornar mais fidedigna as medições de tal instrumento de avaliação.
            Em breve postaremos algumas informações dos parâmetros necessários para a biofotogrametria. Aguardem.

Referências
BARAÚNA, M.A. et al. Avaliação da amplitude do movimento do ombro em mulheres mastectomizadas pela biophotogrametria computadorizada. Revista Brasileira de Cancerologia, v. 50, n. 1, p. 27-31, 2004.

COELHO JÚNIOR, et al. Alinhamento da cabeça e ombros em pacientes com hipofunção vestubular unilateral. Rev Bras Fisioter, v. 14, n. 4, p. 330-5, 2010.

FARIAS, N.C. et al. Avaliação postural em hemiparéticos por meio do software SAPo – realato de caso. ConScientiae Saúde, v. 8, n. 4, p-649-54, 2009.
GORRERI, M.C. et al. Computerized Biophotogrammetry Evaluation of Asymmetry Facial in Patients with Temporomandibular Disorders. Odonto, v. 18, n. 35, p.5-13, 2010.
IUNES, D.H. et al. Confiabilidade intra e interexaminadores e repetibilidade da avaliação postural pela fotogrametria. Rev Bras Fisioter, v.9, n. 3, p. 327-34, 2005.
IUNES, D.H et al. Análise quantitativa do tratamento da escoliose idiopática com o método klapp por meio da biofotogrametria computadorizada. Ver Bras Fisioter, v.14, n.2, p. 133-140,  2010 Epub May 14, 2010.
MCCREARY, E.K. et al. Músculos: provas e funções. 5ª ed. São Paulo: Editora Manole, 2007.
RIBAS, D.I.R. et al.Estudo comparativo dos parâmetros angulares da marcha humana em ambiente aquático e terrestre em indivíduos hígidos adultos jovens. Rev Bras Med Esporte, v. 13, n.6, p.371-5, 2007.
RICIERI, D.V.; ROSÁRIO, N.A.; COSTA, J.R. Razão entre diâmetros torácicos para detecção de hiperinsuflação estática em crianças pela biofotogrametria. J Pediatr, v. 84, n. 5, p. 410-415, 2008.
VASCONCELOS, D.A.; SILVA JÚNIOR, J.R.; SILVA, M.S.B (Org). Fisioterapia Baseada em Evidências: Fisiociências. Campina Grande: EDUEPB, 2008.
VINHA, R.D.; ROSÁRIO FILHO, N. A. Impacto de fatores externos sobre a mecânica respiratória avaliada por um modelo fotogramétrico específico: biofotogrametria. J Bras Pneumol, v. 34, n.9, p. 702-706, 2008. 

Por: Ft. José Diêgo Sales, DQ
Organizador do blog PFM


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