6 de junho de 2011

Articulação temporomandibular: anatomia e biomecânica

A articulação temporomandibular (ATM ) é uma das mais nobres articulações do corpo humano. Por sua complexidade, está sujeita a uma série de interferências e depende da estabilidade anatômica e funcional de todo o Sistema Estomatognático, que vamos conhecer um pouco mais adiante.

Sistema Estomatognático

O Sistema Estomatognático caracteriza-se como um conjunto de estruturas bucais que desenvolvem funções comuns, tendo como características constantes a participação da mandíbula. Com todos os sistemas, tanto o estado de saúde como o de enfermidade ele pode influir sobre o funcionamento de todo o corpo (DOUGLAS, 2004).
Diferentes tecidos e órgãos fazem parte dele e, habitualmente, divide-se em dois grandes grupos. O primeiro é o das estruturas estáticas ou estruturas passivas, que tem como principal característica o gasto de energia que não é feito por seus constituintes durante a realização das suas funções estomatognática específicas.  Fazem parte deste grupo ossos como a própria mandíbula, hióide, coluna vertebral cervical, ATM, dentes, até mesmo tendões ligamentos, aponeuroses, além da mucosa oral. O outro grupo é o das Estruturas dinâmicas ou ativas que envolvem as demais estruturas que utilizam ATP para a realização da sua função estomatognática, dentre elas os músculos.
Considera-se sobre o ponto de vista funcional, que o sistema estomatognático está constituído por quatro elementos básicos: a articulação temporomandibular, componente neuromuscular, superfícies e pressões oclusais e periodonto. Estes elementos precisam funcionar separadamente de acordo com as suas propriedades funcionais e seus sistemas específicos de controle, porém também exige uma inter-relação harmônica entre eles, no final leva a homeostase estomatognática que tem uma alta eficiência.
Existem três funções principais do sistema estomatognático: a mastigação, deglutição e fala, além de auxiliar na respiração e na expressão das emoções.
ATM
A articulação temporomandibular (ATM), considerada a articulação mais complexa do corpo humano, é composta especialmente pelo côndilo mandibular, parte móvel que se desloca pelo osso temporal, sua parte fixa. É uma articulação do tipo sinovial, que se inter-relaciona anatômica e cinesiologicamente com as articulações adjacentes e da coluna cervical.
Entre o côndilo mandibular e o osso temporal há o disco articular que divide a o espaço virtual entre esse dois ossos em inferior e superior. Envolvendo essa articulação há a capsula articular fibrosa e três ligamentos: lateral, esfeno-mandibular e estilo-mandibular. Estas estruturas articulares limitam a faixa de movimentação do côndilo, ao mesmo tempo que confere firmeza e elasticidade.
Os músculos atribuem a característica de movimentação, por isso tido como estrutura dinâmica, os principais são em número de quatro que segue no quadro abaixo, porém há outros que auxiliam direta ou indiretamente na ação estomatognática. Como os supra-hióideos que tem como principal função o abaixamento da mandíbula, os Infra-hióideos que tem o papel de estabilizar o osso hióide para potencializar a abertura da boca, além dos músculos cervicais (como o ECOM, suboccipitais o trapézio) que estabiliza a cabeça permitindo os movimentos controlados da mandíbula. Clique aqui para ver vídeos em ATM



Uma característica peculiar da ATM, é que esta é uma articulação dupla bilateral que se movimenta sinergicamente. Além de ser o único sistema articular como um ponto terminal rígido de fechamento, que são os dentes. Desta forma há uma interdependência de formação estrutural e estabilidade funcional estabelecida entre a dentição e as articulações de ambos os lados, pois qualquer alteração mecânica e/ou funcional afeta o outro.
Esta articulação é considerada como uma alavanca interpontente (com uma pinça, por exemplo), neste caso a ATM seria o fulcro que juntamente com os dentes recebe uma carga de força durante a mastigação. A força absolvida pelo fulcro não é somente aquela gerada na mastigação, mas também com o também como o tamanho da distancia entre a resistência (dentes) e a ATM. Sendo assim, a mastigação com os incisivos aumenta o braço de resistência, a carga na articulação é aumentada.
Os posicionamentos básicos da mandíbula são aqueles assumidos constantemente durante a função e os mais importantes são posição intercuspida (oclusão central) e a posição postural. Na posição de oclusão central a mandíbula é levada até o contato máximo dos dentes inferiores com os superiores, para manter essa posição os músculos elevadores da mandíbula tem que manter-se contraídos. Já na posição postural é a posição de repouso da mandíbula, na qual os músculos mandibulares estão em contração mínima e há um espaço entre as superfícies oclusais denominada distancia intraoclusal ou espaço livre (Freeway-space). No entanto esta freeway-space depende de fatores como a dor, estresse físico e emocional, além da posição da cabeça.
Os movimentos realizados pela ATM podem ser divididos em seis movimentos: abertura, que é realizado em dois momentos: o inicial de rotação da mandíbula em torno de um eixo fixo (eixo de dobradiça) e posteriormente o conjunto côndilo-disco desliza pela parte posterior da eminência articular determinando o movimento de translação; o fechamento; retrusão quando a mandíbula se desloca posteriormente da oclusão centrica; Protusão onde a mandíbula desloca-se para frente a partir da oclusão centrica; laterotrusão que é a lateralização da mandíbula para um lado específico. Durante este ultimo, ocorre o deslocamento lateral de toda a mandíbula, ambos os côndilos se movem, mesmo que em padrões motores diferentes. O côndilo do lado do movimento (côndilo direito para o movimento lateral direito, por exemplo) não permanece sem deslocamento, este se movimenta para o lado do movimento e tem um discreto deslocamento para trás e para cima, este movimento é denominado Bennett.
A homeostase estomatognática não está ligada somente as estruturas adjacentes, como citado anteriormente.  Devido à íntima relação existente entre os músculos da cabeça e região cervical com o sistema estomatognático, iniciaram-se estudos que visavam confirmar que alterações posturais da cabeça e restante do corpo poderiam levar a um processo de desvantagem biomecânica da ATM, levando a um quadro de disfunção temporomandibular.
A postura de cada indivíduo será determinada por cadeias musculares, fáscias, ligamentos e estruturas ósseas, que possuem solução de continuidade, são interdependentes entre si e abrangem todo o organismo. Por tanto é evidente a relação entre a ATM e a Postura.


REFERENCIAS
BARBOSA, V. C. S; BARBOSA, F. S. Fisioterapia nas Disfunções Temporomandibulares. São Paulo: Phorte, 2009.
BARROS , Tarley Pessoa de, ET AL.  A importância da avaliação postural no paciente com
disfunção da articulação temporomandibular. ACTA ORTOP BRAS V.12, n.3, - jul/set.2004.

DOUGLA, C. R. Tratado de Fisiologia em Fisioterapia. 2 ed. Tecmedd: Ribeirão Preto, 2004.
TOSATO, Juliana de Paiva; GOLZALES, Daniela Aparecida Biasotto; GONZALEZ, Tabajara de Oliveira Gonzalez. Presença de desconforto na articulação temporomandibular relacionada ao uso da chupeta. Rev Bras Otorrinolaringol. V.71, n.3, 365-8, mai./jun. 2005.

Por: Marina de Sousa Medeiros
Acd. de Fisioterapia - UEPB


Monitora da disciplina Recursos Terapêuticos Manuais - RTM
Membro do Núcleo de Estudos em Motricidade Humana - MOTRIS
Membro do Blog PFM

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