29 de junho de 2011

Biofotogrametria

      Quantas vezes, em nossos consultórios, numa anamnese evidenciamos alterações posturais e comentamos ao nosso paciente. Infelizmente, muitos pacientes precisam acreditar no que dizemos, por não tem como confirmar o que lhe afirmamos. O que acho mais complicado é apresentar ao paciente melhoras do protocolo de tratamento ao qual aderiu sem nenhum dado palpável.
            A biofotogrametria é uma ferramenta que pode sanar essas dificuldades, onde o profissional avalia e interpreta os dados mensurados e pode apresentar ao paciente dados palpáveis de como o seu corpo está no momento e, o que acho mais importante, mostra como evolui o tratamento, pois o paciente poderá ver o quanto melhorou. A seguir virá algumas definições acerca da biofotogrametria e um pouco do histórico.
O termo de etimologia grega (photos=luz; gramma= desenhado ou escrito; metros= medir), designa um método inicialmente usado na cartografia que foi adaptada para análise biomecânica, podendo ser também denominada de biofotogrametria (COFFITO, 2002).
            A American Society for Photogrammetry and Remote Sensing – ASPRS (2008) define a fotogrametria como arte, ciência e tecnologia de obtenção de informações confiáveis sobre os objetos físicos e o meio ambiente através de processos de gravação, medição e interpretação de imagens fotográficas e padrões da energia eletromagnética radiante e outros fenômenos.
            A técnica é simples e de fácil aplicabilidade, tendo como vantagem o baixo custo para aplicação clínica, facilidade na fotointerpretação, alta precisão e reprodutibilidade dos resultados (BARAÚNA et al., 2004). Com o desenvolvimento de softwares que permitam a mensuração de ângulos e distancias horizontais, verticais com diversas finalidades, ficou ainda mais fácil de realizar a análise métrica das fotos digitais. Um dos softwares utilizados com essa finalidade é o CorelDraw. Outro software disponível livre e gratuitamente é o Software para Avaliação Postural.
            Inicialmente a biofotogrametria foi usada em Portugal, chegando a Brasil na década de 80, quando os primeiros estudos no país começaram a serem realizados (FERREIRA, 2008).  Desde então, vários estudos tem sido realizados, com diversas aplicabilidades: no estudo da marcha (RIBAS et al. 2007), na mecânica respiratória (RICIERI; ROSÁRIO;COSTA, 2008; VINHA; ROSÁRIO FILHO, 2008) , na avaliação de disfunções temporomandibulares (CORRERI et al. 2010), na avaliação postural em  mastectomizadas (BARAÚNA et al., 2004), escoliose (IUNES et al. 2010), distúrbios neurológicos (FARIAS, 2009;COELHO JÚNIOR et al., 2010), dentre outros.
            Estudos para avaliar a confiabilidade e validar medidas de medições também estão foram desenvolvidos, a fim de tornar mais fidedigna as medições de tal instrumento de avaliação.
            Em breve postaremos algumas informações dos parâmetros necessários para a biofotogrametria. Aguardem.

Referências
BARAÚNA, M.A. et al. Avaliação da amplitude do movimento do ombro em mulheres mastectomizadas pela biophotogrametria computadorizada. Revista Brasileira de Cancerologia, v. 50, n. 1, p. 27-31, 2004.

COELHO JÚNIOR, et al. Alinhamento da cabeça e ombros em pacientes com hipofunção vestubular unilateral. Rev Bras Fisioter, v. 14, n. 4, p. 330-5, 2010.

FARIAS, N.C. et al. Avaliação postural em hemiparéticos por meio do software SAPo – realato de caso. ConScientiae Saúde, v. 8, n. 4, p-649-54, 2009.
GORRERI, M.C. et al. Computerized Biophotogrammetry Evaluation of Asymmetry Facial in Patients with Temporomandibular Disorders. Odonto, v. 18, n. 35, p.5-13, 2010.
IUNES, D.H. et al. Confiabilidade intra e interexaminadores e repetibilidade da avaliação postural pela fotogrametria. Rev Bras Fisioter, v.9, n. 3, p. 327-34, 2005.
IUNES, D.H et al. Análise quantitativa do tratamento da escoliose idiopática com o método klapp por meio da biofotogrametria computadorizada. Ver Bras Fisioter, v.14, n.2, p. 133-140,  2010 Epub May 14, 2010.
MCCREARY, E.K. et al. Músculos: provas e funções. 5ª ed. São Paulo: Editora Manole, 2007.
RIBAS, D.I.R. et al.Estudo comparativo dos parâmetros angulares da marcha humana em ambiente aquático e terrestre em indivíduos hígidos adultos jovens. Rev Bras Med Esporte, v. 13, n.6, p.371-5, 2007.
RICIERI, D.V.; ROSÁRIO, N.A.; COSTA, J.R. Razão entre diâmetros torácicos para detecção de hiperinsuflação estática em crianças pela biofotogrametria. J Pediatr, v. 84, n. 5, p. 410-415, 2008.
VASCONCELOS, D.A.; SILVA JÚNIOR, J.R.; SILVA, M.S.B (Org). Fisioterapia Baseada em Evidências: Fisiociências. Campina Grande: EDUEPB, 2008.
VINHA, R.D.; ROSÁRIO FILHO, N. A. Impacto de fatores externos sobre a mecânica respiratória avaliada por um modelo fotogramétrico específico: biofotogrametria. J Bras Pneumol, v. 34, n.9, p. 702-706, 2008. 

Por: Ft. José Diêgo Sales, DQ
Organizador do blog PFM


23 de junho de 2011

Formação em Quiropraxia

22 de junho de 2011

Avaliação Neural


Esse texto visa dá uma continuidade a assuntos discutidos anteriormente presentes numa postagem intitulada como: “Neurodinâmica: os nervos em movimento”. O seu objetivo é mostrar como se fazer uma avaliação do sistema nervoso e posteriormente será apresentado como se dá o tratamento de tais afecções.

Todo tratamento eficaz vem precedido de uma avaliação adequada e com o sistema nervoso não é diferente. A dor provinda de nervos periféricos é bem característica e na maioria das vezes apresenta-se com uma sensação de cansaço, em queimação e formigamento que irradia através de todo o seu trajeto. Por muitas vezes o nervo encontra-se sensível a palpação.

David Butler, autor da técnica, criou testes bem específicos, que tem o objetivo de “estirar” o nervo em questão ou colocá-lo em tensão para observar se ele apresenta-se sensível e/ou reproduz os sintomas antes relatados pelo paciente. Existem três aspectos citados por Butler que determinam ou consideram o teste de Tensão Neural Adversa positivo:

·         o teste reproduz os sintomas do paciente ou fica limitado em uma ADM particular;
·         as respostas do teste podem ser alteradas por movimentos realizados em partes distantes do corpo, como a flexão cervical em um SLR, por exemplo;
·         diferenças nos testes de ambos os lados. Essas diferenças podem na amplitude de movimento e nas respostas sintomáticas.

A seguir mostrarei testes de alguns dos principais nervos do corpo, os quais são combinações simples de movimentos:

·         Nervo Mediano: Estabilização Escapular + Abdução do Ombro (110°) + Supinação + Extensão de Punho e Dedos + Rotação Lateral do Ombro + Extensão do Cotovelo + Flexão Lateral Cervical Oposta (sensibilizante)





·         Slump test (Paciente sentado com os braços para trás): Flexão da coluna toracolombar + Flexão cervical + Extensão do Joelho + Dorsiflexão




·         SLR – Flexão do quadril com o joelho estendido. Pode ser sensibilizado pela dorsiflexão e eversão (trato tibial), inversão (trato fibular)


OBS.: Por problemas no Blog, as imagens não foram adicionadas. Esperamos posta-las em breve.


Por: Daniel Germano.

Acadêmico do curso de fisioterapia - UEPB
Ex-monitor da disciplina Biofísica
Membro do Núcleo de Estudos em Motricidade Humana - MOTRIS
Membro do Blog PFM

         

20 de junho de 2011

Trigger Points: achando a causa das dores

Olá pessoal! Navegando pela net encontrei mais um aplicativo online que julgo bastante interessante. É mais uma ferramenta prática e didática que pode auxiliar em aulas ou mesmo na atividade diária de nosso consultório. Nem sempre vem em nossa mente qual músculo, que acometido por trigger points (pontos-gatilho) pode gerar aquela dor referida que o paciente descreve. Esse guia prático e interativo, que não substitui a pesquisa bibliográfica, pode nos ajudar na nossa prática, seja acadêmica, seja no atendimento. Mais uma vez desejo que aproveite, pesquisem e discutam!

Clique aqui para acessar o link

Por: Ft. José Diego Sales, DQ.
Organizador do Blog

15 de junho de 2011

Método Pilates: história e pincípios


Joseph Pilates
         Pilates é um método de condicionamento físico e mental que desenvolve força, flexibilidade, resistência e controle motor do corpo, além de ser um método de fitness que procura se adequar as necessidades de cada praticante. Seu inventor foi um alemão chamado Joseph Pilates, nascido em 1880. Quando criança sofria de asma, raquitismo e febre reumática e teve por determinação tornar-se mais forte fisicamente, o que o impulsionou a desenvolver os exercícios. Chegou a treinar os enfermos da 1ª Guerra Mundial em um campo de concentração e posteriormente os soldados ingleses e alemães. A partir daí se mudou para os EUA onde seu método foi reconhecido e difundido mundialmente.
            Esse método possui seis princípios básicos que são interdependentes e devem ser executados em todos os exercícios. Se qualquer um for esquecido o treinamento estará sendo realizado da maneira inadequada. São eles: respiração, uma respiração adequada (inspiração feita pelo nariz na fase concêntrica e expiração pela boca na fase excêntrica) ajuda a oxigenar melhor os músculos que estão atuando bem como retirar os catabólitos e os gases nocivos dos mesmos; concentração para ajudar na percepção corporal, postura, e relaxamento da mente; powerhouse ou centro de força, todo movimento se origina do centro. Deve-se manter a todo o tempo a contração da musculatura da região abdominal (isso se consegue secando a barriga, no sentido de empurrar o umbigo para trás e para cima), dos paravertebrais, glúteos e assoalho pélvico. Dessa forma, a coluna lombar estará sempre estabilizada e a postura mantida da maneira correta, além de eliminar as dores que são bastante frequêntes nessa região; precisão, a qualidade do exercício é mais importante do que a quantidade além de auxiliar no controle dos movimentos; fluidez, um movimento fluido parte de um centro firme para a extremidade. São movimentos suaves evitando ao máximo torná-los bruscos; e por fim, o controle, exercícios em que a mente não exerce um controle adequado sobre o movimento geralmente levam a lesões.        
            Os benefícios do método Pilates são: melhorar a capacidade cardiovascular e respiratória; oferecer um condicionamento físico e mental (concentração); aliviar os problemas relacionados ao estresse, diminuindo a tensão e a fadiga; melhorar a força e a elasticidade muscular; melhorar a mobilidade articular; melhorar a postura, eliminando os maus hábitos e as dores; etc.
            No início, os exercícios realizados por Joseph Pilates eram executados no solo, aos quais hoje em dia recebeu o nome de Mat Pilates. Posteriormente ele desenvolveu uma aparelhagem em que a resistência aos movimentos eram exercidas por molas de diferentes calibres. Além de resistência, as molas também dificultam o controle, a precisão e a fluidez o que exige mais do praticante como também realiza a todo tempo tração das articulações envolvidas. Em determinados exercícios a mola facilita sua execução. Os aparelhos recebem o nome de reformer, cadeira combo, cadillac e wall unit.

Por:  Daniel Germano 
Acadêmico do curso de fisioterapia - UEPB
Ex-monitor da disciplina Biofísica
Membro do Núcleo de Estudos em Motricidade Humana - MOTRIS
Membro do Blog PFM

13 de junho de 2011

Plexopatia na mochila !

Qual a relação que as imagens abaixo guardam entre si?

                         
A mochila! O bebê que vira mochila, a criança que leva mochila, o soldado e os acampantes que precisam levar tudo  o que precisam ou precisariam dentro de sua mochila. Aí você já pode pensar que é aquela velha história da postura, blábláblá. Não deixa de ser importantes falar disso, mas venho frisar outra coisinha tão importante quanto: plexopatia.
Plexos nervosos são uma rede cruzada entre si de nervos que levam importantes informações à periferia, sendo que existe quatro plexos: cervical, braquial, lombar e sacral. Qualquer fenômeno que impeça o fluxos normal de informação por meio dos plexos leva, ao que denominamos, de plexopatia.
Mais especificamente vamos falar de plexopatia provocada pelo uso da mochila. Essa lesão começou a ser descrita na Segunda Guerra Mundial e durante as guerras da Coréia e Vietam. Também começou a ser evidenciada em pessoas que usavam mochilas com grande quantidade de peso, como é o caso dos exemplos acima ilustrados: crianças que carregam grande quantidade de livros, acampantes, crianças levadas como mochilas.
O que causa a lesão ao plexo em questão, o braquial, é a grande quantidade de peso levada sobre os ombros e transmitidas através das alças. A tendência de desenvolvimento da lesão é proporcional ao peso carregado, bem como sua repetição.
Os sintomas se dão de forma gradual, com aparecimentos de fraqueza em um dos braços, com sensação de dormência, podendo chegar a paresia dos músculos da cintura escapular, tipicamente afetando o serrátil anterior, supra-espinhal, deltóide, bíceps e extensores do punho. A imagem abaixo mostra o plexo afetado.


Google Body

Então pense duas vezes antes de levar uma mochila muito pesada!
Referência:
FERREIRA, A.S. Lesões nervosas periféricas: diagnóstico e tratamento. 2 ed. Editora Santos: São Paulo, 2001.

Por: Ft. José Diêgo Sales, DQ
Organizador do Blog







6 de junho de 2011

Articulação temporomandibular: anatomia e biomecânica

A articulação temporomandibular (ATM ) é uma das mais nobres articulações do corpo humano. Por sua complexidade, está sujeita a uma série de interferências e depende da estabilidade anatômica e funcional de todo o Sistema Estomatognático, que vamos conhecer um pouco mais adiante.

Sistema Estomatognático

O Sistema Estomatognático caracteriza-se como um conjunto de estruturas bucais que desenvolvem funções comuns, tendo como características constantes a participação da mandíbula. Com todos os sistemas, tanto o estado de saúde como o de enfermidade ele pode influir sobre o funcionamento de todo o corpo (DOUGLAS, 2004).
Diferentes tecidos e órgãos fazem parte dele e, habitualmente, divide-se em dois grandes grupos. O primeiro é o das estruturas estáticas ou estruturas passivas, que tem como principal característica o gasto de energia que não é feito por seus constituintes durante a realização das suas funções estomatognática específicas.  Fazem parte deste grupo ossos como a própria mandíbula, hióide, coluna vertebral cervical, ATM, dentes, até mesmo tendões ligamentos, aponeuroses, além da mucosa oral. O outro grupo é o das Estruturas dinâmicas ou ativas que envolvem as demais estruturas que utilizam ATP para a realização da sua função estomatognática, dentre elas os músculos.
Considera-se sobre o ponto de vista funcional, que o sistema estomatognático está constituído por quatro elementos básicos: a articulação temporomandibular, componente neuromuscular, superfícies e pressões oclusais e periodonto. Estes elementos precisam funcionar separadamente de acordo com as suas propriedades funcionais e seus sistemas específicos de controle, porém também exige uma inter-relação harmônica entre eles, no final leva a homeostase estomatognática que tem uma alta eficiência.
Existem três funções principais do sistema estomatognático: a mastigação, deglutição e fala, além de auxiliar na respiração e na expressão das emoções.
ATM
A articulação temporomandibular (ATM), considerada a articulação mais complexa do corpo humano, é composta especialmente pelo côndilo mandibular, parte móvel que se desloca pelo osso temporal, sua parte fixa. É uma articulação do tipo sinovial, que se inter-relaciona anatômica e cinesiologicamente com as articulações adjacentes e da coluna cervical.
Entre o côndilo mandibular e o osso temporal há o disco articular que divide a o espaço virtual entre esse dois ossos em inferior e superior. Envolvendo essa articulação há a capsula articular fibrosa e três ligamentos: lateral, esfeno-mandibular e estilo-mandibular. Estas estruturas articulares limitam a faixa de movimentação do côndilo, ao mesmo tempo que confere firmeza e elasticidade.
Os músculos atribuem a característica de movimentação, por isso tido como estrutura dinâmica, os principais são em número de quatro que segue no quadro abaixo, porém há outros que auxiliam direta ou indiretamente na ação estomatognática. Como os supra-hióideos que tem como principal função o abaixamento da mandíbula, os Infra-hióideos que tem o papel de estabilizar o osso hióide para potencializar a abertura da boca, além dos músculos cervicais (como o ECOM, suboccipitais o trapézio) que estabiliza a cabeça permitindo os movimentos controlados da mandíbula. Clique aqui para ver vídeos em ATM



Uma característica peculiar da ATM, é que esta é uma articulação dupla bilateral que se movimenta sinergicamente. Além de ser o único sistema articular como um ponto terminal rígido de fechamento, que são os dentes. Desta forma há uma interdependência de formação estrutural e estabilidade funcional estabelecida entre a dentição e as articulações de ambos os lados, pois qualquer alteração mecânica e/ou funcional afeta o outro.
Esta articulação é considerada como uma alavanca interpontente (com uma pinça, por exemplo), neste caso a ATM seria o fulcro que juntamente com os dentes recebe uma carga de força durante a mastigação. A força absolvida pelo fulcro não é somente aquela gerada na mastigação, mas também com o também como o tamanho da distancia entre a resistência (dentes) e a ATM. Sendo assim, a mastigação com os incisivos aumenta o braço de resistência, a carga na articulação é aumentada.
Os posicionamentos básicos da mandíbula são aqueles assumidos constantemente durante a função e os mais importantes são posição intercuspida (oclusão central) e a posição postural. Na posição de oclusão central a mandíbula é levada até o contato máximo dos dentes inferiores com os superiores, para manter essa posição os músculos elevadores da mandíbula tem que manter-se contraídos. Já na posição postural é a posição de repouso da mandíbula, na qual os músculos mandibulares estão em contração mínima e há um espaço entre as superfícies oclusais denominada distancia intraoclusal ou espaço livre (Freeway-space). No entanto esta freeway-space depende de fatores como a dor, estresse físico e emocional, além da posição da cabeça.
Os movimentos realizados pela ATM podem ser divididos em seis movimentos: abertura, que é realizado em dois momentos: o inicial de rotação da mandíbula em torno de um eixo fixo (eixo de dobradiça) e posteriormente o conjunto côndilo-disco desliza pela parte posterior da eminência articular determinando o movimento de translação; o fechamento; retrusão quando a mandíbula se desloca posteriormente da oclusão centrica; Protusão onde a mandíbula desloca-se para frente a partir da oclusão centrica; laterotrusão que é a lateralização da mandíbula para um lado específico. Durante este ultimo, ocorre o deslocamento lateral de toda a mandíbula, ambos os côndilos se movem, mesmo que em padrões motores diferentes. O côndilo do lado do movimento (côndilo direito para o movimento lateral direito, por exemplo) não permanece sem deslocamento, este se movimenta para o lado do movimento e tem um discreto deslocamento para trás e para cima, este movimento é denominado Bennett.
A homeostase estomatognática não está ligada somente as estruturas adjacentes, como citado anteriormente.  Devido à íntima relação existente entre os músculos da cabeça e região cervical com o sistema estomatognático, iniciaram-se estudos que visavam confirmar que alterações posturais da cabeça e restante do corpo poderiam levar a um processo de desvantagem biomecânica da ATM, levando a um quadro de disfunção temporomandibular.
A postura de cada indivíduo será determinada por cadeias musculares, fáscias, ligamentos e estruturas ósseas, que possuem solução de continuidade, são interdependentes entre si e abrangem todo o organismo. Por tanto é evidente a relação entre a ATM e a Postura.


REFERENCIAS
BARBOSA, V. C. S; BARBOSA, F. S. Fisioterapia nas Disfunções Temporomandibulares. São Paulo: Phorte, 2009.
BARROS , Tarley Pessoa de, ET AL.  A importância da avaliação postural no paciente com
disfunção da articulação temporomandibular. ACTA ORTOP BRAS V.12, n.3, - jul/set.2004.

DOUGLA, C. R. Tratado de Fisiologia em Fisioterapia. 2 ed. Tecmedd: Ribeirão Preto, 2004.
TOSATO, Juliana de Paiva; GOLZALES, Daniela Aparecida Biasotto; GONZALEZ, Tabajara de Oliveira Gonzalez. Presença de desconforto na articulação temporomandibular relacionada ao uso da chupeta. Rev Bras Otorrinolaringol. V.71, n.3, 365-8, mai./jun. 2005.

Por: Marina de Sousa Medeiros
Acd. de Fisioterapia - UEPB


Monitora da disciplina Recursos Terapêuticos Manuais - RTM
Membro do Núcleo de Estudos em Motricidade Humana - MOTRIS
Membro do Blog PFM

2 de junho de 2011

O diafragma e suas relações

Cantei uma postagem no Facebook do PFM, e só agora que venho a fazê-la. Primeiramente, peço desculpas pela demora. No face lancei uma questão sobre as possíveis relações do diafragma e a coluna lombar. Já nessa postagem venho ampliar essa questão perguntando: Quais as possíveis relações do diafragma com o eixo vertebral? Quais as possíveis relações do diafragma com a digestão e circulação sanguínea.
Acredito que boa parte das pessoas que lerem esses questionamentos pode traçar uma rápida relação lógica com a coluna vertebral, mas com digestão e circulação deva ser mais difícil, como para mim até pouco tempo era. Não trato aqui sobre respiração, porque todos nós já sabemos a sua função (embora haja espaço para discussão, sendo que deixarei para outra postagem - para variar).
A primeira relação que trago é acerca do nervo frênico, que sai entre C3 e C5, para inervar o diafragama. A Quiropraxia traz na sua filosofia o conceito de complexo subluxação (CS), sendo esta uma disfunção articular de uma vértebra que leva interrupção ou interferência nas informações levadas através das raízes nervosas. Esta interferência faz com que informações aferentes e eferentes ocorram de maneira insuficientemente satisfatória para manter o controle ótimo das funções orgânicas. Se o CS estiver localizado no segmento vertebral de onde saem as raízes nervosas do diafragma, logo é possível pensar que o controle do sistema nervoso sobre o músculo não será satisfatório.
Na coluna lombar, a relação do diafragma é garantida pela inserção que possui nas vértebras lombares, podendo ser dividido em dois pilares, o esquerdo e o direito, como mostra a figura abaixo. Além disso, ainda estabelece uma relação com o quadrado lombar e o psoas, tendo inserções em seus arcos. O pilar direito estabelece conexão com T12 a L3 e o esquerdo com T12 a L2, inserindo sobre os discos intervertebrais.

Figura retirado do livro Fisiologia Articular, Kapandji

Relação do Psoas com o diafragma. Imagem retirado do Google Body

O diafragma apresenta três importantes orifícios, o aórtico, o esofágico e o da veia cava. No orifício aórtico, a contração diafragmática não poderá interferir no fluxo aórtico, sendo exatamente o que acontece. A contração diafragmática favorece o fluxo que é garantido nesse orifício pelas travessões das tensões nos pilares durante o trabalho diafragmático.
O problema que o diafragmático poderia levar através do orifício esofágico é diferente, o de levar a regurgitações durante a contração, devido a pressão que exerce sobre o estômago. Para isso, o pilar direito exerce um papel importante sobre o orifício esofágico, auxiliando num palpel de cárdia, onde a contração diafragmática gera simultaneamente um fechamento nesse orifício, impedindo o regurgitamento.
Um outro problema a ser resolvido pelo diafragma é relativo quanto a orifício da veia cava. Aqui este orifício não pode frear o sangue ao durante a inspiração. Durante a contração do diafragma, o que acontece é que as  tensões da fibras musculares levam ao orifício da veia cava a ficar quadrilátero, facilitando assim a subida do sangue venoso.
Então, podemos refletir que o tratamento da lombar não perpassa somente em devolver a normalidade da musculatura lombar, mas também é preciso visualizar o diafragma. Vimos também o quanto podemos interferir no corpo trabalhando sobre esse importante músculo. Além disso, o trabalho sobre o quadril também parece bastante lógico, pensando no psoas. Quanto mais global for o nosso pensamento a cerca do problema do paciente, mais sucesso podermos ter no tratamento dos nossos pacientes.

Referencias:
KAPANDJI, AI. Fisiologia articular: esquemas comentados. Volume 3. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.
BUSQUET, L. As Cadeias musculares: lordoses, cifoses, escolioses e deformações torácicas. Volume 2. Belo Horizonte: Edições Busquete, 2001.

Por: Ft. José Diego Sales, DQ
Integrante do Centro Paraibano de Quiropraxia
Organizador do Blog PFM