24 de maio de 2011

Entorse de tornozelo

A articulação do tornozelo é formada pela tíbia e fíbular, em sua parte distal, com o tálus interposto entre os maléolos de cada osso (medial e lateral, respectivamente). É uma articulação relativamente estável, possuindo um complexo de ligamentos e músculos que garante a estabilidade dessa articulação.
Mais precisamente, os ligamentos laterais são talofibular anterior, talofibular posterior e calcaneofibular. Tais ligamentos permanecem tensos em toda amplitude do tornozelo. Medialmente, tem-se um forte logamento dividido em feixes anteriores, mediais e posteriores. Esses ligamentos estão tensos quando o tornozelo está em sua posição neutra, estando relaxado em flexão plantar o ligamento posterior e em dorsiflexão o anterior.
Os ligamentos são inervados e por nervos sensitivos, que quando tensionados medeiam a resposta reflexa de espasmo muscular protetor. Dependendo do grau de resposta espasmódica, poder vir a se forma no músculo envolvido os trigger points ou pontos-gatilho, pelo rápido recrutamento, gerando contratura local, levando a dimuição de aporte sanguíneo, o que levará a crise energética (umas das teorias para a formação de trigger points).
Resposta reflexa mediada no estímulo ligamentar

O tipo de lesão mais comumente vista em práticas esportivas é a entorse. A palavra “entorse” deriva do latim “exprimere”, pressionar para fora. Trocando em miúdos, é quando uma força é aplicada ao tornozelo a partir de uma posição estável levando a hiperdistensão ligamentar. Esse tipo de estresse não é exclusivo de atletas, isso pode acontecer ao andar, correr, saltar, principalmente quando em solos irregulares.
De acordo com a severidade da lesão a entorse pode ser classificada em três tipos:
·         Leve (ou grau I): o ligamento permanece integro e a articulação continua estável, embora algumas fibras estejam rotas
·         Moderada (ou grau II): uma quantidade significativa de fibras é rompida a ponto de comprometer a estabilidade do tornozelo, gerando incomodo ao paciente;
·         Grave (ou grau III): o ligamento perde sua integridade, tendo todas as fibras rompidas e evidente perda de estabilidade.
A entorse por inversão é o mais comum de ocorrer, sendo o ligamento talofibular anterior o mais frequentemente afetado, isso se o pé estiver em flexão plantar. Se o mesmo estiver em ângulo reto, o ligamento calcâneo fibular é o sofre maior impacto de distensão.
Na entorse por eversão acontece um caso interessante, o ligamento deltóide é tão forte que antes dele sofrer ruptura total, o ligamento é “arrancado” de sua inserção óssea na tíbia, implicando em fratura o arrancamento da superfície óssea tibial. O fato de não ser freqüente a ruptura do ligamento deltóide, não implica que nunca aconteça. É preciso invertigar e levá-la em consideração no raciocínio clínico.

2 comentários:

Felipe disse...

Inicialmente gostaria de parabenizar pelo blog, está realmente muito bom.

No penúltimo parágrafo está escrito:
"A entorse por inversão é o mais comum de ocorrer, sendo o ligamento tibiofibular anterior o mais frequentemente afetado..."

Não seria o ligamento talofibular anterior?

Grande abaço.

Dr. Diêgo Sales (Organizador do Blog) disse...

Oi Felipe,

Você está correto sim! Desculpem os leitores pelo erro, e obrigado Felipe pela contribuição em corrigir. Fique a vontade você e fiquem a vontade os leitores em comentar neste blog.

Abraço.