6 de maio de 2011

Biotensegridade I: uma nova abordagem da biomecânica

Como prometido, venho nessa postagem trazer um conteúdo um tanto quanto complexo. Espero que tenham ficado curiosos quando abordei um pouco sobre tensegridade, na postagem “Músculos estáticos? Isso é balela???” Um título pouco forte, de fato, mas intencional. Presumo também que não tenham encontrado muita coisa sobre o assunto. Aos que procuraram se depararão com um pouco do que vou comentar. Aos que não procuraram, aí vai essa postagem. Como sempre, desejo que aproveitem e discutam o tema.
            Bom, o termo e a abordagem na biomecânica é relativamente novo, podendo ser chamada de biotensegridade (biotensegrity em inglês). Traz um pouco do pensamento da engenharia para explica o coportamento de certas estruturas. Hipóteses tem sido levantadas e exemplificadas em modelos que o mesmo pensamento pode ser aplicado no tão complexo corpo humano. No entanto,  não é de surpreender tanto assim, já que estruturas micro, como as virais e as celulares, já são vistas através dessas estruturas como sendo  todas tensegridamente sinergicas ligados em uma cascata hierárquica do menor para o maior.
Segundo Donald Ingber, MD, um investigador principal em do Boston Children's Hospital, a Tensegridade é um "sistema arquitetônico para a organização estrutural que fornece um mecanismo para integrar fisicamente a parte ao todo".
Buckminster Fuller, traz a seguinte definição para tensegridade: " a tensegridade descreve um princípio de relações estruturais em que o aspecto estrutural é garantida de maneira finitamente fechado, de forma abrangente contínua, comportando um sistema tensional, e não de forma descontínua e exclusivamente local". Isso lembra do que eu e alguns colegas temos escrito aqui nesse blog repetidades vezes, a globalidade do corpo garantida pelo sistema fascial e aponeurótico.  
O sistema de Tensegridade é autônomo, não-redundante , e é composto de suportes de compressão descontínua que são suspensas em uma teia de linhas de tensão, de modo a criar eficiente, estabilidade de móveis para todo o sistema. Trazendo isso para o corpo, encaixasse perfeitamente quando refletimos a cerca da regulação do equilíbrio do corpo (ou melhor, do reequilíbrio). A uma grande vantagem desse sistema é a eficiência de “sustentar” determinada carga com certa economia. As tensões que uma parte do sistema suporta não fica apenas naquele ponto, sendo então distribuído, de maneira harmônica e inteligente, para o resto do sistema, sem gasto energético maior. Então se o sistema é inteligente ou eficiente, porque apresentamos desequilíbrios estáticos? Isso já é assunto para uma outra postagem.
O pensamento do complexo biomecânico se constituir e ser sustentado apenas por sistemas de alavancas e roldanas não comporta mais para os dias de hoje. O maquinário humano é muito mais complexo, sendo de tal forma que precisa de um sistema mais efetivo para isso. Por isso os estudos em tensegridade do corpo tem avançado e trazido teorias que melhor explicam a biomecânica humana. Não se surpreendam se daqui a algum tempo tenhamos um livro de cabeceira com este tema, assim como temos o Kapandji (que até os dias de hoje nos deixa maravilhados com detalhes de suas explicações).
Por enquanto fico por aqui com essa postagem. Vamos digerir um poucos essas informações que logo virão outras postagens sobre o mesmo tema.

Obs.: O texto foi baseado nas informações presentes no site: http://www.biotensegrity.com/
Por: Ft. José Diego Sales, D.Q.
Organizador do Blog PFM

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