20 de abril de 2011

Neurodinâmica: o "nervo" em movimento

     Comentários do autor do Blog: Essa postagem marca mais uma estréia do meu amigo Daniel Germano. Mais um que vai contribuir para o fluir cada vez maior das informãções e discussões neste blog. Agora o tema abordado é de extrema importância para a prática clínica do profissional em fisioterapia, que por muitas vezes recebem paciente queixos de dores de origens neurais. Leiamos, entendamos e assumamos o compromisso de aprofundarmos nesse assunto, que como mencionei, é de suma importância. Aproveitem a postagem e comentem.


        Durante a realização de movimentos comuns nas atividades da vida diária o sistema nervoso (SN) está sujeito a ser tensionado e comprimido pelas estruturas que o rodeiam. Para um melhor entendimento, deve-se ter em mente que todo o SN é interligado, ou seja, está em continuidade em todo o corpo sob três aspectos: a continuidade do tecido conjuntivo, embora esteja em diferentes formatos no SNC e SNP (epineuro e dura-máter, por exemplo); conexão elétrica, onde um impulso gerado no encéfalo chega aos membros e vice-versa; e a conexão química, representada pelos mesmos neurotransmissores a nível central e periférico. Essa conexão acontece de te tal forma que o tensionamento nervoso gerado por movimentos realizados em extremidades do corpo, como no pé, por exemplo, terá repercussão em níveis mais elevados do sistema nervoso. 

Teste de Tensão Neural Adversa


          Um nervo periférico está preso a um membro em dois locais: na medula e no tecido por ele inervado. Sendo assim, durante todo o seu trajeto ele encontra-se solto, em contato com outras estruturas denominadas, por David Butler, como interfaces mecânicas. Para adaptação aos movimentos, os nervos são capazes de deslizarem em relação às interfaces. Ao se realizar uma extensão de punho e em seguida deixar o punho neutro enquanto realiza-se uma inclinação cervical contralateral, por exemplo, o nervo mediano é tracionado e assim desliza distalmente e proximalmente respectivamente. Os nervos também possuem movimentos intraneurais, que são os movimentos dos elementos do tecido neural em relação às interfaces dos tecidos conectivos (um fascículo nervoso deslizando em relação a outro). Essa movimentação interfascicular é quem propicia uma distribuição de tensão não uniforme, isto é, uma vez que uma força for aplicada sobre o sistema nervoso, esta força não será igualmente dispersa por todo sistema nervoso.
            Devido a processos patológicos, esse deslizamento fica comprometido gerando “Tensão Neural Adversa”. Esta pode ser definida como respostas mecânicas fisiológicas anormais das estruturas do sistema nervoso, quando suas amplitudes normais de movimento e capacidade de alongamento são testadas. Esse evento tem causa intra e/ou extraneural. A patologia extra neural afeta os movimentos grosseiros do SN em relação às interfaces (pinçamento do nervo espinhal por uma diminuição no forame intervertebral, compressão por espasmo muscular, etc.) e a intra neural, conhecida como patologia neurogênica, tem a elasticidade afetada. A tensão neural adversa é causadora de dores conhecidas como neuralgias que têm como característica principal a irradiação por todo o trajeto do nervo. São bastante comuns em afecções como síndrome do túnel do carpo, hérnias de disco, ciatalgias e cervicobraqialgias. Além dessas, patologias como cotovelo de tenista, fascite plantar, síndrome do desfiladeiro torácico, síndrome do piriforme, entre outras apresentam comprometimento neural.

Por:  Daniel Germano MacielAcadêmico do curso de fisioterapia - UEPB
Ex-monitor da disciplina Biofísica
Membro do Núcleo de Estudos em Motricidade Humana - MOTRIS
Membro do Blog Portal da Fisioterapia Manual

2 comentários:

Patricia Lobo disse...

Olá Professores, muito interessante como sempre os posts. Agradeço a dedicação de voces, o que´faz que aprendemos de uma forma diferente e possamos discutir temas. Eu nao sou fisioterapeuta sou professora de pilates hihih, mas tenho seguido o blog sempre que posso. Durante a minha formaçao de pilates, ou ve muita discussao sobre o tal de alongamento neural e mobilização neural, e gostaria de saber mais sobre estas tecnicas do que se trata e se pode ser utilizada por nós durante as aulas. obrigada cumprimentos saudaveis

Daniel Maciel disse...

Olá Patrícia, agradeço o seu comentário e acho pertinente a sua curiosidade e vontade de discussão. A mobilização neural é justamente o tratamento da Tensão Neural Adversa. Como foi dito, nesta o nervo perde sua capacidade de deslisamento e a mobilização vem restaurar o q foi perdido. David Butler em seu livro denominado como Mobilização do Sistema Nervoso trás um capítulo falando a respeito das auto mobilizações, onde se orienta o paciente a realizar determinados movimentos q consiga "mexer" nervos especificos. Numa aula de pilates tem como adaptar alguns exercicios como mobilizações sim, um exemplo eh durante uma atividade aeróbica na bola suiça enquanto o paciente realiza movimentos especificos em membros superiores e inferiores. tendo o conhecimento do trajeto do nervo, de como se coloka ele em tensão e usando a criatividade fika muito facil de adaptar. É isso ai Patrícia, espero q tenha respondido a sua pergunta. Estou aberto a criticas e agradeço novamente o comentario.