29 de abril de 2011

Mal de Pott, já ouviu falar?

Algumas raras vezes podemos nos deparar com patologias com quadro clínicas sérios e que não temos muitos contato ou mesmo conhecimento. É aí de fato podermos fazer alguma diferença, nem que seja encaminhar aquela paciente para um profissional que de fato possa o ajudar. Para isso é preciso reconhecê-las. Mas como faremos isso, se não formos apresentados a ela? Em virtude disse, por vezes, postarei algumas síndromes para termos cuidados e ajudar nossos pacientes. Esse post não é de plena autoria minha, pois o assunto é complexo para ser abordado tão sucintamente, mas recortes de pesquisa cujas as referências estão citadas no final do post. Espero que esse texto seja apenas uma primeira leitura. Mais uma vez, aproveitem a postagem.
A doença foi descrita em 1799, por Percivall Pott (1714-1788), um cirurgião londrino. Atinge mais comumente as vértebras T8 à L3. O primeiro relato foi feito por Hipócrates em 450 AC, porém existem descrições históricas da doença em múmias egípcias de 3.000 AC (2,3).

Clinicamente, a Doença de Pott se manifesta com dor local progressiva, associada a alterações neurológicas sugestivas de comprometimento medular (4). Sintomas constitucionais tais como febre e perda de peso ocorrem em 40% das vezes (5). A complicação mais importante é a compressão medular na fase ativa da infecção, podendo resultar em paraplegia.

Dentre os vários locais atingidos pela doença, o pulmão é o mais frequente e a afecção óssea representa a quinta mais comum nas formas extrapulmonares. Dentre estes casos 50% apresentam doença na coluna vertebral2-4. As vértebras torácicas inferiores e lombares são as mais frequentemente afetadas, seja por contigüidade pleural ou por disseminação hematogênica. A lesão inicial é na porção anterior do corpo vertebral, o disco adjacente é envolvido, levando a um estreitamento do espaço entre os discos e herniação. A lesão provocada por inflamção, edema e necrose podem resultar na formação de uma abscesso, ocasionando compressão medular, bem como desmielinização dos tractos ascendentes e descendentes. Eventualmente a vértebra colapsa e porção anterior leva a uma cifose e/ou escoliose, característica do mal de Pott ou doença de Pott.
A fisiopatologia aponta para uma provável disseminação do foco primário, usualmente pulmonar, para o espaço extra-dural da coluna, através do plexo venoso vertebral. O tempo médio de duração dos sintomas é de 3 a 4 meses e o diagnóstico pode ser sugerido pela história clínica. Segundo dados de uma metanálise de 694 pacientes da Turquia (5), os sintomas mais frequentes são fraqueza nas pernas (69%), presença de giba (46%), secundária ao comprometimento de coluna vertebral, dor (21%), em decorrência de compressão neurovascular, e massa palpável (10%).

O diagnóstico pode ser sugerido por exames de imagem, tais como a TC ou a RM, que podem demonstrar a extensão da destruição óssea e do tecido que circunda a região comprometida.

Obs.: Usem esse texto apenas como informação inicial, averiguando cada informação usada e aprofundando. Assim, cada um caminhará para crescer na profissão e juntos fortalecermos nossa classe.

Por:
Ft. José Diego Sales, D.Q.
Oganizador do Blog PFM

Referências

FALCETTA ,F.S et al. Mal de pott: uma doença milenar em um novo século. Rev HCPA, v. 29, n. 2, 2009.

LUCIANO, F. et al. Instrumentaçäo anterior da coluna em espondilite tuberculosa: Mal de Pott: Relato de caso. Arq Neuropsiquiatr, v. 60. n.1, p. 142-144, 2002.

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