11 de fevereiro de 2011

Política e Fisioterapia


Comentário do autor do blog: O texto a seguir tras uma reflexão sobre nossa atitude enquanto profissional da área e sobre o que estamos fazendo para melhorar e piorar nossa profissão. Nele o Ft. Diego Neves, meu amigo, explana de maneira sucinta, mas que nos coloca em "check". Leiam e comentem, tanto eu como Ft. Diego Neves estaremos respondendo os possíveis questionamentos.

            Essa primeira palavra do título certamente não é a melhor para atrair a atenção de um leitor brasileiro, independente da profissão. Talvez por conta da trajetória política do nosso país, com tantos casos de corrupção impunes e pessoas não muito cofiáveis se safando e até se elegendo novamente, nós tenhamos tamanho trauma dessa palavra. E é muito comum ouvir-se falar: “eu não gosto de política”.

            O que é uma pena, pois o significado de política vai muito além de eleições e de pessoas usando terno. Qualquer tipo de relação social entre grupos ou classes, pode ser considerada uma relação política. E você, como fisioterapeuta, representa uma classe. Porém, é visto já desde a graduação uma grande defasagem em relação às questões políticas que envolvem nosso campo de atuação, tanto por parte dos alunos como até de alguns professores. Antes eu até achava que era um problema exclusivo da universidade onde estudei, mas bastou andar um pouco para ver que em outros lugares a coisa não é assim tão diferente.

            Você, aluno ou profissional, pare e pense. Você sabe se existe piso salarial para sua profissão no seu estado e/ou região? Se existe, quanto é? Você sabe qual a função do conselho, ou melhor, onde fica a sede do conselho em sua cidade? E quanto ao sindicato, existe? Quem te representa lá?

            Enfim, eu poderia fazer ainda uma maré de outras perguntas, mas se com essas você não conseguiu responder a maioria, então existe um problema aí e bem mais grave do que muitos imaginam.

O profissional é significantemente limitado, se ele sabe Pilates ou como programar um ventilador mecânico para um paciente na UTI, mas não sabe de seus direitos e deveres diante da profissão (e vice-versa). Às vezes parece até que precisamos da ameaça de um ato médico para nos sentirmos revoltados o suficiente para pensarmos em conjunto e aí sim irmos procurar nosso papel diante de uma equipe de saúde. Já cansei de ver pessoas reclamando do conselho, quando na verdade a responsabilidade de denunciar e comunicar ao CREFITO era dessas pessoas.

Na política, para se conseguir espaço, precisa-se ir atrás. Esperar de braços cruzados que os outros (que às vezes você nem sabe quem são) resolvam, é o que fragiliza a fisioterapia e traz transtornos. Também não é apenas lendo um texto e concordando com as palavras que as coisas mudarão. O que muda são algumas atitudes diárias. Reclamar e resmungar com seus colegas de profissão é uma atitude que não muda nada além do seu humor e o das pessoas que o ouvem. 

Para terminar, faço uma pergunta: há como entender aquela pessoa que, para se omitir de qualquer tipo de discussão como essa, diz: “eu não gosto de política”? Eu não entendo, porque apenas seu salário e seu trabalho dependem disso. Pouca coisa, não é mesmo?!

Por: Ft. Diego Neves Araújo

2 comentários:

Dr. Johnnatas M. Lopes disse...

Parabéns pela postagem e parabens Dr. Diego pela contribuição a nossa profissão.
Abraços, amigos.

Vivinha Shalom disse...

Esses tipo de declaração me enche de esperança de um futuro melhor pra nossa profissão e me enche de orgulho por ser amiga dessa mente brilhante. Um grande abraço amigo. Não pare de fazer política, sua presença dá mais credibilidade a ela.
Saudades de conviver contigo.