17 de julho de 2010

Estabilização Segmentar Vertebral

       Antes da descrição do tratamento com ESV, é preciso lembrar que a dor lombar exerce um fator limitante para o inicio dessas técnicas. Estudos mostram que pacientes com dor lombar apresentam um recrutamento antecipatório alterado em todas as direções do movimento, o que dificultará inicialmente a aplicação da técnica. É importante que se utilize técnicas que diminuam a dor lombar, para só depois inicial o protocolo de ESV. Faz-se importante frisar também que o paciente não deve sentir dor maior do que ele sentia durante a execução do protocolo.
ESV para Coluna Lombar
        O protocolo segue três principais fases: a) conscientização estática; b) associação dinâmica; c) controle automático.
Na primeira fase, o objetivo é ensinar ao paciente como contrair a musculatura estabilizadora profunda. Esse primeiro passo se faz com o paciente em decúbito dorsal, orientando que “encolha a barriga” e contraia a musculatura do assoalho pélvico. Como feedback visual, pode se utilizar o Stabilizer® (figura 1), onde a unidade central deve coincidir com o umbigo, e a inferior deve estar sobre as EIPSs (espinhas ilíacas póstero superiores). O aparelho é inflado até 70mmHg. Quando o aparelho apresentar uma diminição de 6-10mmHg, o paciente está realizando um contração correta. Então se orienta que mantenha aquela contração por 10 segundos. Realiza-se algumas repetições (exemplo: 10 repetições), visando a progressão do exercício. Uma dica seria começar com uma intensidade (a escolha do terapeuta) e diminuir, para que, a medida que a musculatura for fadigando, o treinamento possa ainda continuar. O Stabilizer® pode ser substituído pelo esfingomanômetro, embora não com a mesma eficácia. Um dos motivos é que no segundo não conseguimos ter a mesma relação da unidades do Stabilizer®, e, durante a contração, o esfingomanômetro, tende de esvaziar.

         A progressão, ainda na fase estática, é a posição no decúbito ventral, decúbito lateral, quadrupedia, sentado e em pé.
         O terapeuta pode ainda ter o feedback sensitivo através da palpação (figura 2, vídeos: clique aqui).





         Na fase dinâmica pode repete o mesmo procedimento, mas agora adiciona o movimento dos membros. Na ultima fase, é inserido movimentos mais complexos, podendo ser usado a bola suíça, com a finalidade de trazer uma coordenação neuromuscular, mas sempre enfatizando a contração da musculatura estabilizadora. Ao longo da aplicação desse protocolo, o processo de estabilização se tornará automática e coordenada.
         É importante que se trabalhe também focando a musculatura estabilizadora global (ver tabela da postagem: Estabilidade da coluna vertebral), eliminando possíveis espasmos e associando alongamento e flexionamento desses músculos no protocolo exposto.

Na próxima postagem será abordado a ESV para coluna cervical. Aguardem!!!


Referências:

SIQUEIRA, G.R.; SIVAL, G.A.P.; VIEIRA, R.A.G. Anatomia biomecânica e estabilização da coluna. Recife: Editora Universitária da UFPE, 2009.
KISNER, C.; COLBY, L.A. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas. 5a edição. São Paulo: Manole, 2009.
PANBAJI, M.M. Clinical spine instability and low back pain. J Electromyogr Kinesiol, v.13, n4, p. 2383-397, 2003.

José Diego Sales
Organizador do Blog

Nenhum comentário: