20 de julho de 2010

Desequilíbrio Muscular

 
            Antes de detalhar o treinamento para a ESV da coluna cervical, é necessário que se conheça as repercussões trazidas pela postura hiperlordótica nessa região. O que será enfatizado aqui são os desequilíbrios musculares.
            Observa-se que a linha de gravidade passa tangenciando as vertebrais cervicais (cervical alta e algumas vértebras cervicais posteriores, fig. 1), de modo a fazer a cabeça lutar contra um desequilíbrio anterior (Busquet, 2001). Fica clara a mudança no torque dos músculos atuantes na região cervical. Essa mudança influenciará na alteração dos músculos em questão, tendo que se adaptar às novas condições impostas e necessárias para a manutenção da funcionalidade. Para isso, os músculos devem trabalhar mais do que precisava, ficando então espasmado e gerando trigger points (veja a postagem sobre trigger points neste blog), ou ficando fraco (veja postagem sobre energia muscular neste blog). Se um músculo fica fraco, outro músculo deverá assumir a função não completa por este.


            A região cervical tem uma relação íntima com a articulação temporomandibular (ATM), de forma que disfunções na postura cervical levam a transtornos na biomecânica da ATM que, se mantida, levarão a disfunções ou desordens temporomandibulares. Parte dessas disfunções pode ter, como importante fator causal, o desequilíbrio muscular. A exemplo do dos músculos supra-hióideos infra-hióideos, que músculos que auxiliam no equilíbrio da mandíbula contra os músculos da mastigação, que com a postura anteriorizada da cabeça tendem a ficar mais alongados e enfraquecidos, juntamente com o músculo longo do pescoço. Este último auxilia a ação do esternocleidomastoideo (ECOM) na flexão da cabeça ao diminuir a lordose cervical. Estando enfraquecido, a ação em diminuir a lordose cervical estará diminuída, exigindo, portanto, uma maior ação do ECOM.
 Aí está, de forma bastante resumida, uma explanação sobre o desequilíbrio muscular que auxiliará no entendimento da conduta de ESV cervical da postagem posterior.

José Diego Sales
Organizador do Blog

SAITO ET, AKASHI PM, SACCO IDE C. Global body posture evaluation in patients with temporomandibular joint disorder. Clinics: 64(1):35-9,2009.

CHAITOW, L. Técnicas de Energia Muscular. 3° edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008, 320 p.

HONG, C. Z.; SIMONS, D. G. Pathophysiologic and electrophysiologic mechanisms of myofascial trigger points. Arch. Phys Med Rehabil, v. 55, p 863-72, 1998.
BUSQUET, Léopold. As cadeias musculares: tronco, coluna cervical e membros superiores. Belo Horizonte: Edições Busqut, 2001.
SIQUEIRA, G.R.; SIVAL, G.A.P.; VIEIRA, R.A.G. Anatomia biomecânica e estabilização da coluna. Recife: Editora Universitária da UFPE, 2009.
KISNER, C.; COLBY, L.A. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas. 5a edição. São Paulo: Manole, 2009.

17 de julho de 2010

Estabilização Segmentar Vertebral

       Antes da descrição do tratamento com ESV, é preciso lembrar que a dor lombar exerce um fator limitante para o inicio dessas técnicas. Estudos mostram que pacientes com dor lombar apresentam um recrutamento antecipatório alterado em todas as direções do movimento, o que dificultará inicialmente a aplicação da técnica. É importante que se utilize técnicas que diminuam a dor lombar, para só depois inicial o protocolo de ESV. Faz-se importante frisar também que o paciente não deve sentir dor maior do que ele sentia durante a execução do protocolo.
ESV para Coluna Lombar
        O protocolo segue três principais fases: a) conscientização estática; b) associação dinâmica; c) controle automático.
Na primeira fase, o objetivo é ensinar ao paciente como contrair a musculatura estabilizadora profunda. Esse primeiro passo se faz com o paciente em decúbito dorsal, orientando que “encolha a barriga” e contraia a musculatura do assoalho pélvico. Como feedback visual, pode se utilizar o Stabilizer® (figura 1), onde a unidade central deve coincidir com o umbigo, e a inferior deve estar sobre as EIPSs (espinhas ilíacas póstero superiores). O aparelho é inflado até 70mmHg. Quando o aparelho apresentar uma diminição de 6-10mmHg, o paciente está realizando um contração correta. Então se orienta que mantenha aquela contração por 10 segundos. Realiza-se algumas repetições (exemplo: 10 repetições), visando a progressão do exercício. Uma dica seria começar com uma intensidade (a escolha do terapeuta) e diminuir, para que, a medida que a musculatura for fadigando, o treinamento possa ainda continuar. O Stabilizer® pode ser substituído pelo esfingomanômetro, embora não com a mesma eficácia. Um dos motivos é que no segundo não conseguimos ter a mesma relação da unidades do Stabilizer®, e, durante a contração, o esfingomanômetro, tende de esvaziar.

         A progressão, ainda na fase estática, é a posição no decúbito ventral, decúbito lateral, quadrupedia, sentado e em pé.
         O terapeuta pode ainda ter o feedback sensitivo através da palpação (figura 2, vídeos: clique aqui).





         Na fase dinâmica pode repete o mesmo procedimento, mas agora adiciona o movimento dos membros. Na ultima fase, é inserido movimentos mais complexos, podendo ser usado a bola suíça, com a finalidade de trazer uma coordenação neuromuscular, mas sempre enfatizando a contração da musculatura estabilizadora. Ao longo da aplicação desse protocolo, o processo de estabilização se tornará automática e coordenada.
         É importante que se trabalhe também focando a musculatura estabilizadora global (ver tabela da postagem: Estabilidade da coluna vertebral), eliminando possíveis espasmos e associando alongamento e flexionamento desses músculos no protocolo exposto.

Na próxima postagem será abordado a ESV para coluna cervical. Aguardem!!!


Referências:

SIQUEIRA, G.R.; SIVAL, G.A.P.; VIEIRA, R.A.G. Anatomia biomecânica e estabilização da coluna. Recife: Editora Universitária da UFPE, 2009.
KISNER, C.; COLBY, L.A. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas. 5a edição. São Paulo: Manole, 2009.
PANBAJI, M.M. Clinical spine instability and low back pain. J Electromyogr Kinesiol, v.13, n4, p. 2383-397, 2003.

José Diego Sales
Organizador do Blog

16 de julho de 2010

Estabilização da coluna vertebral



Sabe-se da função estática e dinâmica da coluna vertebral. Para que ambas ocorram de forma harmônica, é preciso uma boa estabilidade. Tal estabilidade fundamenta-se em um tripé: elementos estáticos, elementos dinâmicos e controle motor. Quando, por algum motivo, um desses elementos não atua de maneira correta, ocorre um processo que culminará, fatalmente, em instabilidade e com ela uma série de sintomas que podem ser diretamente associados e outros que são resultantes de processo de compensação postural.
Os elementos estáticos respondem passivamente, oferecendo força tensora contra o movimento. São eles: ligamentos espinhais, discos intervertebrais, cápsulas articulares, articulações facetárias e corpos vertebrais. Como elementos dinâmicos temos ainda dois grupos: musculatura global ou superficial e musculatura segmentar ou profunda (ver tabela). A predominância de fibras dessa musculatura é do tipo I, o que caracteriza a função estabilizadora desses músculos. Lesões e dor lombar traz mudanças na conformação de distribuição de fibras e faz esse músculos se comportarem com característica fásica.
O que não pode deixar de ser enfatizada e compreendida é a ação do controle motor no processo de estabilização. Esses músculos agem de maneira antecipatória ao movimento. Informações aferentes chegam ao SNC, que elabora e manda um comando efetor, caracterizando assim a coordenação neuromuscular. As informações propriocepitivas partem das capsulas articulares, disco intervertebral e ligamentos, como também do próprio músculo que entrará em ação. Qualquer informação incoerente nesse mecanismo proprioceptivo levará a um controle estabilizador deficiente.
Posteriormente será postado nesse blog como se dá o treinamento de estabilização segmentar para coluna lombar e cervical.

Referências:

SIQUEIRA, G.R.; SIVAL, G.A.P.; VIEIRA, R.A.G. Anatomia biomecânica e estabilização da coluna. Recife: Editora Universitária da UFPE, 2009.
KISNER, C.; COLBY, L.A. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas. 5a edição. São Paulo: Manole, 2009.
PANBAJI, M.M. Clinical spine instability and low back pain. J Electromyogr Kinesiol, v.13, n4, p. 2383-397, 2003.




José Diego Sales
Organizador do Blog