15 de junho de 2010

Assimetrias funcionais ou disfuncionais?


Esta postagem configura-se um pensamento pessoal das manifestações posturais referentes as disfunções musculoesqueléticas.
É notório que ao longo de nossa formação intensificamos a necessidade de encontrar assimetrias para explicar a possíveis disfunções musculoesqueléticas, tão recorrentes em nossas práticas diárias. Dessa forma, assimetrias posturais passam a serem sinônimos de disfunção. Mas será que isso é verdade?
Chamo a atenção para alguns casos em que assimetrias não são sinônimos de desconforto ou dor. Nestes casos, assimetrias posturais são disfuncionais? Talvez a resposta mais coerente seja “talvez”. Colocarei aqui um termo que gosto de pensar mais apropriado “assimetrias funcionais”. Em alguns casos, assimetrias encontradas aparecem para tornar funcional atividades específicas desenvolvidas particularmente pelo indivíduo. Paremos para pensar em um esportista, como um lutador de judô, onde seu principal movimento, no qual aprimorou durante anos, é o rotação direita do tronco, o qual usa de maneira eficiente para dar o golpe em seu opositor. É coerente pensar que os músculos que entrariam em ação neste movimento estarão mais tônicos do que os que fazem a rotação esquerda do tronco. De certo, isso provocará um certo grau de assimetria. Esta assimetria é disfuncional? Para este indivíduo, não. Se entrássemos com um protocolo de tratamento para diminuir a assimetria neste indivíduo, certamente comprometeríamos sua performance. Atletas fatalmente apresentarão tais disfunções.
Mas o que pensar de pessoas que não são atletas e apresentam assimetrias. A anamnese é ideal para se pesquisar a origem desta assimetria. Muitas delas vêem desde a infância, outras se desenvolvem na adolescência e inicio da vida adulta, que continuam e aumentam durante a vida adulta. Atividades realizadas são determinantes nas fixações das assimetrias, levando a tensão de grupos musculares seletivamente, em contrapartida a relaxamento de outros (síndromes cruzadas superiores e inferiores). E, o que nos guiará em nossa conduta, o sintoma de dor. Se não há dor, então possivelmente a assimetria é funcional. Mas um detalhe, talvez seja funcional para aquele momento. O indivíduo “assumiu” aquela postura para garantir a realização de “certa” atividade. Para tentar simplificar poderíamos dizer que: por algum motivo o “corpo” precisou assumir aquela postura para melhor execução de uma específica atividade. Identificar se a assimetria presente provoca estresse a alguma estrutura do corpo, talvez seja mais importante do que apenas identificá-la. A busca desse motivo nos guiará para uma conduta terapêutica eficiente, objetiva e inequívoca.
O que quero alertar com essa postagem é o fato de assimetrias um diagnóstico, mas um sinal. Daí se procurará: 1) a causa da assimetria; 2) se há comprometimento de alguma estrutura corporal; 3) se a assimetria é disfuncional ou funcional . O pensamento clínico que deveremos ter perpassa pela biomecânica. Cada paciente tem atividades a forças diferentes que agem em seu corpo. Então, a análise deve ser, verdadeiramente, individualizada.

José Diego Sales 
Organizador do blog

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