23 de maio de 2009

Técnicas de Energia Muscular

   A técnica de energia muscular é um método da terapia manual desenvolvida por Fred Mitchell. Pode ser utilizada amplamente em um espectro diverso de disfunções vivenciadas constantemente por fisioterapeutas como, por exemplo: dor miofascial, lombalgia e fibromialgia.
   A técnica de energia muscular com relaxamento pós-isométrico (TEM/RPI) é um método manipulativo no qual o indivíduo utiliza ativamente seus músculos a partir de uma posição controlada em uma direção específica contra uma força contrária, a fim de restituir a mobilidade articular e reduzir quadros álgicos decorrentes do espasmo muscular. Baseia-se no fato de que, após uma contração préalongamento de um músculo retraído, esse músculo irá relaxar como resultado da inibição autogênica e será alongado mais facilmente.
   Pode ser aplicada para alongar músculos encurtados, fortalecer músculos enfraquecidos e mobilizar articulações com mobilidade restrita. É indicada a pacientes com sintomatologia dolorosa do sistema locomotor, que apresentem atividade articular normal, porém musculatura encurtada ou com espasmo.

Como usar as técnicas de energia muscular

Encontrar a barreira de resistência é o primeiro procedimento para a realização da TEM’s. Esta barreira, de acordo com Prentice (2003), consiste no ponto de amplitude de movimento em que os tecidos necessitam de uma certa força passiva para a continuação do movimento.
Uma vez encontrada a barreira de resistência as TEM’s podem ser iniciadas. De acordo com Chaitow, o paciente/cliente não deve ser instruído a contrair o músculo agonista mais do que 20%. Já para Prentice (2003), o músculo agonista deve ser contraído em aproximadamente 20 a 25% de sua força disponível. O fisioterapeuta deve oferecer uma resistência suficiente, compatível com a contração isométrica do paciente. Esta contração deve ser mantida por 10 segundos, tempo necessário para que o Órgão Tendinoso de Golgi possa ser estimulado para promover um efeito neurofisiológico inibitório sobre o fuso muscular e, conseqüentemente, sobre o tônus muscular. Isso possibilita levar o músculo a uma nova amplitude de movimento. Depois da contração isométrica há um período de latência em torno de 25 a 30 segundos, durante o qual o músculo pode ser alongado. Pode-se solicitar ao paciente o uso da musculatura antagonista para distender a área tratada em uma nova amplitude de movimento (utilização de inibição recíproca). Além disso, a estrutura pode ser passivamente movida para a nova barreira de resistência.
Para que haja um ganho controle neuromuscular e eficiência estrutural e funcional na nova amplitude de movimento para o paciente, o fisioterapeuta deve realizar exercícios de estabilização e neuromuscular e de estabilização central após as TEM’s. Ademais, deve fornecer orientações sobre técnicas de auto-alongamento com o intuito de manter a amplitude de movimento recém-adquirida.


Camila Aragão
Acadêmica de Fisioterapia da UEPB
Membro do Centro de Estudos Avançados em Hemiplegia

20 de maio de 2009

Globalidade X Alterações Posturais





Diz-se que o sistema esquelético e muscular tem função dá sustentabilidade ao corpo humano, bem como o tecido conjuntivo. Aliado a esse conceito de sustentação do corpo tem-se outro conceito que é o de globalidade. Não se pode pensar no corpo humano e, muito menos, falar de aspectos posturais sem pensar em uma globalidade.
Qualquer disfunção esquelética poderá a levar problemas na musculatura relacionada ao local da disfunção ou não relacionada. Ás vezes pode-se ter uma resposta muscular de uma alteração longe de onde começou o problema, como uma torção do tornozelo levar a uma lombalgia. Pode ocorrer também um problema muscular levando a alterações na biodinâmica de uma articulação relacionada diretamente ou indiretamente.
Quando se fala em alterações posturais essa idéia de globalidade fica ainda mais forte e melhor compreendida. Na linguagem biomecânica, um conceito muito explorado é o de centro de massa e cetro de gravidade. Na verdade esses dois conceitos são entrelaçados onde o centro de massa é um determinado ponto no objeto, sobre o qual incide a gravidade que exerce tração sobre todas as moléculas desse objeto, numa linguagem mais simples é o ponto onde a maior parte da massa do corpo se concentra.
O centro de massa, com o desenvolvimento normal do homem, vai se modificando. No recém nascido o centro de massa o centro de massa está na seu cabeça, pois ela é a parte do seu corpo que mais pesa, é por isso que o recém nascido não consegue sustenta ereta sua cabeça. Com o passar dos anos a criança vai ganhando massa corporal e o centro de massa vai modificando de local a até que no estágio juvenil esse centro de massa localiza-se na proximidade do umbigo. Para um melhor estudo e entendimento da repercussão desse conhecimento na postura humana, traça-se uma linha imaginária vertical do centro de massa ao solo. Para um bom equilíbrio essa linha deverá está contida numa base denominada base de sustentação, qualquer desvio dessa base implicará em desequilíbrio.

A base de sustentação é a área no solo que contenha a área de um indivíduo em pé, área essa onde seu corpo estará fazendo pressão no solo. A figura ao lado mostra o ponto onde cai o centro de massa bem como a área abrangida pela base de sustentação do corpo. O centro de massa deva cair no ponto indicado na figura, qualquer alteração desse ponto gerará instabilidade do corpo e para resolver essas instabilidades o próprio corpo procurará artifícios e é aqui que consiste o problema. Muitas dessas correções se dão de maneira inconsciente

Na figura ao lado o centro de gravidade está caindo fora da base de sustentação; isso implica que o corpo terá de busca artifícios para devolver estabilidade, uma dessas ações afetará a visão indivíduo, podendo deixá-lo estrábico.


José Diêgo Sales